O PSDB e a formação da militância
Rubens Bueno
Desde a sua fundação, em 85, o PSDB vinha sendo identificado por seus detratores como um partido com ‘‘muito cacique e poucos índios’’ - uma definição simplista e grosseira, que mal disfarçava o despeito com que os adversários contemplavam o surgimento de uma agremiação que, de forma genuína, sempre procurou basear suas ações no programa e manifesto partidários (fenômeno raro no Brasil, onde a rotina é a falta de sintonia entre os atos e a retórica).
Pois bem. Passados pouco mais de dez anos de sua criação, o PSDB emerge como o partido que mais cresce no quadro político nacional, com o suporte de uma militância sólida, capilarizada nos mais diversos segmentos organizados da sociedade. Nem que quisessem, seus desafetos poderiam reiterar a inverdade sobre o excesso de chefes e base minguada.
Sim, o Partido da Social-Democracia Brasileira tem um grande número de lideranças, seja no âmbito estadual ou na esfera nacional, todas elas preparadas moral e intelectualmente para enfrentar o desafio que representa conduzir o Brasil ao caminho do desenvolvimento com justiça social.
Mas estes líderes e dirigentes têm hoje, a seu lado, uma militância ativa e combatente, que cresce na mesma medida em que o partido se enraiza mais na comunidade.
Crescer em quantidade é importante, mas pode gerar mais problemas que soluções se não houver qualidade. Inchar um partido artificialmente traz as consequências que já conhecemos na experiência anterior de siglas políticas que estavam no poder e cresceram de forma desmedida.
Chegamos então ao problema da formação política. Um partido com quadros qualificados, forjados na prática diária do embate político, mas também respaldados pelo conhecimento teórico, sempre terá maiores chances de resistir ao acerco do oportunismo, ao assédio constante e incansável do arrivismo.
O conhecimento teórico só vem com a leitura, o estudo e o debate. Para proporcionar este embasamento doutrinário tão necessário à vida orgânica do partido, o Instituto Teotônio Vilela iniciou no sábado, 12 de abril, o Curso de Formação Política para Dirigentes Municipais do PSDB.
Ano passado, propiciamos treinamento para mais de três mil pré-candidatos tucanos às eleições de 3 de outubro. O currículo incluía idéias gerais para a concepção de um programa de governo, noções básicas de marketing político e conhecimento sobre a legislação eleitoral, entre outros tópicos. O curso atraiu a atenção do diretório nacional e de outros estados, que o reproduziram a partir da nossa cartilha.
Agora vamos levar a formação política a toda a militância que planeja integrar os quadros formais do PSDB, nas suas diferentes instâncias. O Instituto realizará o curso nas sedes de macrorregiões, onde os militantes vão se familiarizar com programa, estatuto e manifesto do partido, além da formação dos Núcleos de Base, célula fundamental do PSDB que, a meu ver, em breve será dos esteios de nosso crescimento por sua vinculação à comunidade e aos segmentos profissionais, como trabalhadores, intelectuais, estudantes, mulheres etc.
Todo partido tem seu projeto de poder. Mas o PSDB não quer ser grande e forte apenas para empalmar e manter o poder. Queremos ser, acima de tudo, dignos da confiança do povo porque temos o melhor programa para atender aos anseios e expectativas de um Brasil mais justo e desenvolvido.
- RUBENS BUENO é presidente do Instituto Teotonio Vilela e ex-prefeito de Campo Mourão.
Excepcionalmente, não publicamos hoje a coluna de Ruy Fabiano

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