O PSDB está na iminência de perder Aécio Neves, governador de Minas Gerais, na corrida presidencial. Já não o tem como vice de Serra, mas agora parece que Aécio está se afastando mais. Ou, então, quer apenas ser ''adulado'', como se diz lá mesmo em Minas Gerais.

Aécio herdou uma matreirice tal e qual do avô, Tancredo, cujas tiradas e atitudes, às vezes, beiravam a velhacagem. Mas era sempre para se defender de ofensivas eleitorais dos adversários. Assim, ontem, exibindo a herança, Aécio saiu com essa: disse que não sabe se sairá candidato a senador ou a presidente.

''Quero concluir o governo, quero estar por todas as regiões ao lado do vice-governador, que assumirá o cargo no final do mês de março, em razão da legislação eleitoral que me obriga a desincompatibilizar para disputar outro cargo'',

E sua assessoria reforçou: ''O governador voltou a dizer que não sabe ainda se sairá candidato a senador ou a presidente. ''Quem faz vida pública não tem o futuro nas suas mãos. Depende da minha gente'', diz. No entanto, segundo analistas e políticos mais próximos, a tendência é que dispute uma vaga ao Senado. Mas terá pouco tempo para subir em palanque com José Serra.

Serra peca pela timidez e falta de apetite político que pode ser mero cinismo para cooptar aliados mas pode ser real. De real mesmo é que ele demora para anunciar a candidatura para a irritação dos companheiros e gáudio dos adversários. E enquanto Serra vai na marcha lenta, Dilma já cortejou Aécio.
O mineiro, embora não pareça se vestir da mesma colorização ideológica que impregna Dilma, também não é inflexível. E, depois, quem não disse que pedigree ideológico pesa em campanha política?

Enquanto a oposição vacila com o freio de mão puxado, Lula e Dilma avançam como furacões ignorando a legislação eleitoral e sem dar a mínima para a Justiça, que prefere se manter na zona de conforto. Aliás, ontem o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, voltou a dar palpite sobre critérios para julgar abusos. Mas não comentou as representações protocoladas pela oposição que acusam Lula e Dilma de propaganda eleitoral antecipada.

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