O protetor do meio ambiente
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de abril de 1997
Abelmidio de Sá Ribas 
A natureza também pertence aos que ainda estão por nascer. (Lema do batalhão de Polícia Florestal)
Em 4 de abril de 1957, há quarenta anos, protanto, criou-se, com a denominação de Corpo de Policiamento Florestal (CPF), o embrião do que seria o atual Batalhão de Polícia Florestal (BPFLO).
Unidade da Polícia Militar do Paraná, especializada na proteção ao meio ambiente, cumpre sua missão constitucional realizando atividades de educação ambiental para orientar e conscientizar as gerações futuras, e efetuando o patrulhamento ostensivo e fiscalização para dissuadir eventuais práticas de infrações ambientais ou para, no caso de infratores contumazes, cumprir e fazer cumprir a legislação ambiental.
Numa época em que no Brasil era diminuto o nível de consciência preservacionista, os integrantes do Batalhão Florestal iniciaram e mantiveram-se fiéis, desde então, ao cumprimento da missão de proteger o meio ambiente.
Durante essas quatros décadas, policiais florestais de diferentes idades, oficiais e praças, se revezaram, diuturnamente, realizando um trabalho que, sabiam, não pode parar.
Diferente de outros órgãos públicos que às 18hs, nos dias de semana, encerram suas atividades ou simplesmente não as realizam nos feriados, sábados e domingos, o Batalhão Florestal mantém-se, ininterruptamente, trabalhando pela conservação ou preservação ambiental.
Cada policial florestal, integrante do BPFLO, trabalha sob condições adversas, incrustrado nas matas e florestas, exposto às intempéries, isolado e afastado do convívio familiar, às vezes por longos períodos.
Sua dedicação é tanta que, envolvido e motivado pelo nobre trabalho que realiza, mal tem tempo para perceber que raramente seu trabalho é reconhecido. Internamente, porque a formação profissional, essencialmente ética que recebemos, torna difícil manifestações sobre desempenho pessoal, embora isso seja comum no meio empresarial e em outros órgãos públicos.
Externamente, porque o crescente e ora consumado processo de urbanização impede que os cidadãos percebam os trabalhos de fiscalização ambiental realizados através de patrulhamento motorizado, a pé, aquático e aéreo, predominantemente fora do meio urbano, nas matas e florestas.
Mas os resultados desses trabalhos falam por si: quando se apreendem armas e armadilhas, diminui-se o potencial de danos ambientais e a dizimação de espécies, várias já sob ameaça de extinção; quando se efetua uma prisão, sua divulgação dissuade e desestimula a ação nociva de outros infratores da legislação que não respeitam o meio ambiente como um direito de todos; quando se orienta uma criança, com base na educação ambiental, se prepara a geração futura para uma harmoniosa convivência com a natureza.
Aparentes gotas do oceano, cada um desses trabalhos é uma contribuição efetiva para a proteção ao meio ambiente. Afinal, não por acaso temos em nosso Estado a área de Mata Atlântica melhor preservada do país (lá estão 160 homens do BPFLO, protegendo-a) e o Parque Nacional do Iguaçu, patrimônio de toda a humanidade (protegido por 64 homens do BPFLO), entre outras regiões.
Naturalmente outras pessoas idealistas e órgãos (governamentais ou não) dedicados à causa ambientalista deram a sua contribuição, mas poucos terão estado por tanto tempo, de forma constante e permanente, protegendo essas regiões com sua presença física ininterrupta.
Por isso, ao ouvir o canto alegre dos pássaros, o rumorejar suave e borbulhante das águas, o terno balanço das folhas nas árvores e o zunir livre e manso do vento nas matas, florestas e rios em que você trabalha, policial florestal, receba-os como o reconhecimento da própria natureza.
Uma natureza que se manifesta agradecida àquele que desempenha, com disposição, ideal e persistência, os trabalhos típicos de uma guardião ambiental, com a consciência da importância das atividades que realiza; atividades estas que caracterizam o papel de um verdadeiro Protetor do Meio Ambiente.


