O protagonismo socialmente invisível da enfermagem
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quinta-feira, 11 de julho de 2019
Espaço Aberto 
Escolhi uma profissão que tem como premissa a ciência e a arte do cuidar. Enfermeira. Profissional do cuidado, da atenção às pessoas no seu desequilíbrio saúde-doença, nas fragilidades, receios, limitações e perdas. Acima de tudo, somos profissionais do compromisso com a vida. Ciente da responsabilidade que essas características trazem, vejo a necessidade de levar à sociedade a reflexão sobre a invisibilidade social da categoria, apesar de seu protagonismo em todas as áreas da saúde.
Atualmente, somos mais de 2,1 milhões de profissionais de enfermagem no Brasil, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. No Paraná, somos 100 mil inscritos no Conselho Regional de Enfermagem. Força de trabalho presente no dia a dia da assistência, em unidades básicas de saúde, hospitais, clínicas, home care, escolas, empresas, entre outros serviços de saúde; na gestão pública e privada, na academia, na pesquisa, na extensão e também na área de empreendedorismo.
A enfermagem está presente nas diferentes etapas da vida das pessoas, com a responsabilidade de levar atenção e prestar cuidado diferenciado às necessidades que cada fase exige, primando pela qualidade e segurança. Nos serviços de saúde, seja de qual for a complexidade, é o profissional de enfermagem que acolhe, que identifica fragilidades, que acompanha procedimentos, prepara para exames e cirurgias, que está atento a reações e a necessidade de demandas pontuais e específicas. Apesar dessa multiplicidade de funções exercidas por enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, é comum o entendimento equivocado e a reclamação “só fui atendido pela enfermeira”.
A consulta de enfermagem, realizada pelo enfermeiro, não é uma subconsulta ou um atendimento de segunda categoria, mas uma atribuição prevista por Lei do Exercício Profissional, em protocolos elaborados pelo Ministério da Saúde, bem como protocolos institucionais de serviços públicos ou privados.
O enfermeiro realiza a consulta baseado em conhecimentos técnicos, científicos e metodológicos adquiridos em cinco anos de graduação, em especializações, mestrado e doutorado. Ele pode e deve realizar a consulta de enfermagem, realizar procedimentos, solicitar exames complementares, prescrever medicações previstas em protocolos, encaminhar para outros profissionais, sempre baseado no raciocínio clínico, exame físico, diretrizes clínicas e terapêuticas.
Os técnicos e auxiliares de enfermagem atuam sob a supervisão do enfermeiro e juntos formam a grande força de trabalho da saúde. No sistema público, chegam a ocupar mais de 60% das funções, garantindo acolhimento e resolutividade na assistência, promoção da saúde e prevenção de doenças, além de assumir muitos papéis na gestão.
A invisibilidade social a que a categoria está submetida tem sido responsável por um quadro de desmotivação profissional, evasão de mão de obra, baixa autoestima, desgaste e adoecimento dos trabalhadores pela sobrecarga da jornada e pelo subdimensionamento de pessoas. Pelo fato de estar e cuidar das pessoas de forma permanente e contínua, é necessário um olhar de cuidado com esses profissionais, é necessário cuidar de quem cuida.
Temos momentos de grande reconhecimento e gratidão, principalmente de familiares que acompanham a dedicação dos profissionais em restabelecer a saúde dos enfermos. Mas, é necessário que esse reconhecimento individual possa ser traduzido em respeito, investimentos e projeção social. Informem-se, conheçam nossa formação e reconheçam nossa capacidade, habilidade e liderança. Onde há vida, há enfermagem. Valorizar esses profissionais, é valorizar a vida!
SIMONE PERUZZO, enfermeira e atual presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná


