O programa do milhão de casas populares
Ao falar-se de casas populares é comum ouvir o gracejo de que elas são tão pequenas que, quando o sol entra, alguém tem de sair. Realmente, acomodações de 32 e 37 metros quadrados de área interna são minúsculas, porém servem aos sem-teto que moram em cortiços ou pagam aluguel em precárias condições e buscam o conforto e a segurança da casa própria. Por isso, por mais que haja críticas, é um bom passo o Governo federal destinar recursos para financiar, a longo prazo, 1 milhão dessas moradias até 2011, das quais 44 mil no Paraná.
Atendendo a prefeitos do Norte Paraná - que pediram ao ministro Paulo Bernardo (Planejamento), em Cornélio Procópio, que também municípios com menos de 100 mil habitantes fossem contemplados - o projeto foi modificado e abrangerá também comunidades menores. Será preciso dizer que esse volume de casas, mesmo que insuficiente, beneficiará muita gente, embora o déficit habitacional no País seja de 7,2 milhões de moradias, conforme levantamento do IBGE.
O volume a ser investido será de R$ 60 bilhões, dinheiro resultante da aplicação dos poupadores e do Fundo de Garantia em poder da Caixa Econômica. Estes dois anos de mandato que restam ao atual Governo já podem ser considerados eleitorais, por isso Lula deixou para agora a oportunidade de construir estas casas, de dar impulsão ao Programa de Aceleração do Crescimento e de até manifestar-se irritado com o ''spread'' dos bancos (a larga diferença entre o que cobram e o que pagam aos poupadores). Se essas casas não irão resolver o problema da escassez de moradias para as famílias de baixa renda, já o amenizam em 15%. As que serão financiadas no Paraná também são poucas (e se fossem centralizadas mal atenderiam ao déficit de Londrina), mas ao menos há uma nova arrancada pela causa desse problema social. O programa prevê sistema de aquecimento solar nas casas dos mutuários com renda de até 3 salários mínimos, o que permitirá 30% de economia de energia elétrica. Uma boa providência.
Mas o projeto não pode estacionar no volume anunciado, porque até 2011 haverá mais famílias ou casais de baixa renda buscando lugar para morar. Por isso, enquanto este programa é realizado será preciso ir engendrando outros do gênero, porque a pesquisa já provou que tendo a garantia da morada própria e segura os cidadãos aumentam a autoestima e sentem-se mais úteis e inseridos no que se chama cidadania. Também a delinquência no âmbito desses contingentes diminui. Se 1 milhão de casas não basta, já é um bom avanço.





