As relações estudante/professor devem ser consolidadas. A universidade deve analisar periódicamante esta questão, verificando a dimensão qualitativa dessa relação, que não pode se limitar aos espaços da sala de aula. Esta aferição metódica permitirá maior abertura para mudanças pedagógicas e incorporação constante de novos meios de acesso ao conhecimento. Hoje um país se faz com homens, livros, cd-rooms, vídeos, dvds, Internet, vídeo-conferência e muito mais. O livro e o saudável hábito de leitura ainda é a melhor fonte de conhecimento, no entanto a grande maioria não tem poder aquisitivo para comprá-lo. Pois, um livro que tem custo de produção unitário de R$ 2,95 (tiragem 10.000 exemplares c/ 258 p) poderia ser comercilizado por R$ 18,00, gerando assim, lucro líquido de 20% para todos - autor, editor, gráfico, distribuidor e varejista. Porém é vendido a R$ 55,00, o que o torna quase inacessível. Existe uma correlação direta entre preço justo e o aumento hábito de leitura? Quando o mercado editorial praticará preços justos?... Quando seremos um país de leitores?...
A universidade deve formar lideranças. A sociedade brasileira carece de líderes em todos os setores: na família, na escola, na empresa, ..... Homens e mulheres autóctones, automotivados pela prática do ‘‘bang jump’’, corajosos, que gostem de assumir riscos, comprometendo-se com a construção de um mundo melhor, mais humano e feliz.
Nesse aspecto, o trabalho do professor é cada vez mais crítico, porque a geração dos anos 80 que está chegando à universidade, encontra-se totalmente estimulada pelos meios de comunicação de massa. Não é mesmo ‘‘Big Brother’’? Se por acaso o ‘‘calouro’’ não estiver sintonizado com o que estiver sendo apresentado, ele aciona mentalmente a tecla ‘‘rap’’ e rap...idamente muda de canal, ‘‘desligando’’ o professor que está a 5 metros dele. Fisicamente encontra-se na sala de aula, mas sua mente navega em experiências infinitas, adquirida em diferentes ‘‘canais’’.
A mídia que verticalizou a quantidade de informações, reduziu a análise e o estabelecimento de relações entre elas, não tem sido capaz de digerir tudo o que ela mesma transmite. Os grandes momentos da mídia traduzem-se no sensacionalismo e no forte apelo emocional. E, por isso, a violência, a corrupção e a exclusão ganham destaque. Tudo isto faz parte da mente dos jovens. Eles trazem a realidade para a sala de aula, sem ter tido a oportunidade de passar do ‘‘saber’’ ao ‘‘fazer’’ e depois progredir para a ação decorrente - o que exige uma certa ordem desse conhecimento. O assessoramento do professor nesse transe facilita a passagem para as etapas seguintes. Ele identificará o ‘‘fazer arriscado’’, ou seja, o ‘‘fazer’’ que tolera o erro e do qual se retiram lições, o ‘‘fazer’’ que vai se alimentar da aprendizagem para construir um saber mais sólido.
Isso também leva o professor a gerar nos jovens a percepção de que a informção da mídia é na maioria das vezes, fruto de uma visão condicionada de quem transmite (sobretudo em pseudo-jornais/boletins de campanhas). Se, de um lado o fato é verídico, de outro, reflete em sua primeira análise, apenas a ótica daqueles que selecionaram, formataram e transmitiram a informação, sem levar em conta que muitas vezes todo o processo foi desenvolvido de forma deturpada e tendenciosa. Por tudo isto a contribuição do professor na complementação da formação ética do cidadão é decisiva no processo de construção de uma Universidade de Verdade, para a Verdade e pela Verdade, comprometida com a liberdade de expressão, a pluralidade e o respeito a diversidade de opiniões.
Durante a carreira de um docente na universidade, que dura em média 30 anos, ele pode acompanhar como ‘‘tutor’’ cinco ou seis turmas. O ‘‘ouro moderno’’ aparece na ‘‘bateia’’ quando o educador percebe claramente num grupo de cinquenta formandos, as relações de causa e efeito, o novo comportamento no mercado de trabalho ou em atividades de ensino, pesquisa, extensão, prestação se serviços à comunidade, e se mantém informado dos êxitos e dificuldades dos ‘‘regressos’’, agora cidadãos plenos, críticos, verdadeiros agentes de mudanças positivas.
João Fialkoski Neto é professor, pesquisador e consultor em Marketing e Comunicação.

mockup