O Dia do Professor, comemorado na segunda-feira, foi instituído no Brasil em 1963, por decreto do presidente Goulart. Neste dia celebramos também a grandeza de uma mulher sábia e santa, Tereza D'Ávila, doutora e mestra da espiritualidade cristã. Parece-nos que com isso o recado é o seguinte: ensinar é um compromisso divino, com a participação dos mestres humanos, e portanto deve ser uma ação onde a razão e o coração, a ciência e a fé se entendam para que se possa formar um ser humano digno da sua pátria e exemplo em sua igreja.
Aliás, o educador São João Bosco, no século 19, já dizia: ''Em nossos colégios queremos formar buoni cittadini e ottimo cristiani''. Professor ateu, nem pensar: ele estaria numa profissão sem vocação. O verdadeiro é aquele que ensina orando e ora para ter sabedoria o seu ensinar. Charmot, em sua obra ''A formação psicológica dos professores'', não tem pejo em dizer que os professores devem ser pessoas que vivem em Deus: ''O educador, cujo fim é elevar seus alunos na busca da verdade, deve ter a graça; tê-la-á se trabalhar orando''.
Jesus foi, e com razão, o Grande Mestre: ''Eu sou o vosso Mestre e vós os meus discípulos, isto é, alunos''. É o exemplo a seguir. Como Ele, é preciso informar e formar. O mundo será perfeito se tivermos Cristos, cristãos. Fora disso teremos letrados orgulhosos e prepotentes.
Adler, em seu livro ''A arte de ler'', com a toda humildade e sinceridade declara os erros e acertos dum professor: ''Toda profissão tem certo número de truques que impressionam aos leigos ou aos clientes a serem atendidos. O truque que nós, professores, empregamos, é a máscara de sabedoria e competência que usamos. Os melhores professores são os que têm menos pretensão. Se os alunos estão às voltas com um problema difícil, o professor que se mostrar titubeante pode ajudá-los muito mais do que o pedagogo que parece voar nas esferas magníficas, lá longe, muito acima deles. Se como professores fôssemos mais honestos a propósito de nossa incapacidade, menos receosos de confessar o quanto isso nos é difícil e quantas vezes falhamos, poderíamos interessar os estudantes no jogo de aprender, em vez de interessá-los no de passar''.
Só conseguiremos ser assim quando descobrirmos o scio quod nescio, o quanto ainda existe para aprender. Ele deve ser um sábio, não pode ser um mero repetidor, mas um educador, e como tal dá atenção a cada aluno, elogia seus esforços e elogia os bons para que sejam ainda melhores.
Para os diretores de faculdades, como seriam seus melhores professores? Foi F. L. Clapp quem fez uma pesquisa, pedindo a dez diretores que indicassem as dez qualidades que julgavam necessárias para os seus professores. Das cem respostas escolheram dez e ficou assim formado o ideal: é uma pessoa simpátia e que se veste com bom gosto, é acolhedor e sincero, otimista e entusiasta, é culto, tem vitalidade, imparcialidade e dignidade.
E houve também uma pesquisa com alunos, para saber quais as qualidades que mais admiravam em seus professores. Foi feita por MacDonald com 320 estudantes. Eles disseram que gostariam que seus professores fossem joviais e justos e soubessem ter consideração, fossem amigos, tivessem boa voz e andassem asseados, que tivessem interesse pelos estudos de cada aluno; que o bom professor é sincero, entusiasta e conhece bem a matéria; sabe os nomes dos alunos e é otimista, paciente e apreciador de esportes.
Não será exigir demais? Acreditamos em super-homens? Os professores que têm vocação e portanto amam o seu ministério como um ideal, conseguem tudo isso; são felizes e encantam os alunos. E são indispensáveis na escola. Fala-se hoje dum estudo quase autodidata, pelo qual cada vez mais se dispensará o professor, que será substituído pelos meios eletrônicos ou pelos livros. Isto não nos parece ser a verdade. Newman, na sua obra ''Origem e progresso das universidades'', defende ''a superioridade da instrução oral, dada pelo professor, sobre os livros''. O professor, afirma, ''é a ciência ou a disciplina vitalizada e humanizada na presença do estudante''.
Ah, que saudades dos professores de 40 anos atrás, pessoas respeitadíssimas na comunidade, com sua autoridade e até autoritarismo. Era preciso diminuir este e manter aquela. Tenho a impressão que conseguimos acabar com os dois. Assim não haverá melhoras; tiramos o valor de alguém que é indispensável para termos uma sociedade educada. Como nos entristece o professor das greves que, para reclamar os seus direitos, recorre à força e não ao poder do seu calamus. É preciso recuperar a dignidade.
- PADRE ARISTIDES DERETTI é professor e vigário da Paróquia São Vicente de Paulo, em Londrina

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