Um novo foco de intranquilidade social é a queda do volume de repasses do Governo federal para os municípios, o que está gerando problemas sérios nas áreas de atendimento básico. No caso do Paraná, o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) é a principal receita de nada menos que 320 dos 399 municípios. O critério do repasse não os contempla devidamente, e são esses núcleos municipais, cada qual individualmente, os geradores da riqueza nacional e, portanto, os que produzem receita tributária. Mas se o grosso volume de arrecadação de impostos centra-se em poder da União que nem gasta o que tem, por inoperância de gestão, como ocorreu no exercício de 2005 que ora finda as bases se enfraquecem, e estas são representadas pelos municípios. São as pequenas cidades as mais prejudicadas pela insuficiência de recursos, porque ali as carências sociais batem diretamente à porta dos poderes públicos, pela proximidade com os problemas individuais dos cidadãos. Essa delicada questão da baixa resistência das prefeituras que agora exige solução emergencial esbarra em vícios de origem, que precisam ser atacados por diversas maneiras. A primeira delas é descentralizar a renda em poder do Tesouro, que não proporciona uma equitativa redistribução para Estados e municípios. Outra, a necessidade de as administrações municipais racionalizarem gastos. As representações políticas regionais com assento no Congresso Nacional precisam lutar pelo aumento do porcentual de repasse aos municípios, e no caso das prefeituras, que o corte de despesas não recaia sobre o setor da dor o da saúde e os outros de relevância fundamental como educação, segurança e moradia. Uma insensatez foi a criação de grande quantidade de municípios, no Paraná e no Brasil inteiro, filhotes originados de comunas maiores. Porque esses novos municípios tiveram de criar suas secretarias, suas câmaras municipais e todo o quadro funcional, municiar-se de instalações, máquinas e equipamentos, tudo isto resultando em ônus novos, que eram centralizados no município-mãe. Boa parte da receita desses pequenos municípios acabou direcionada para o funcionamento da máquina administrativa, o que antes não era necessário. Não é fora de propósito a idéia do retorno de municípios pobres à condição de distritos porque eram mais prósperos. Por ora, enquanto a cultura política não permitir que isso aconteça aparentemente um retrocesso mas na realidade um avanço será preciso socorrer os municípios mais dependentes do FPM e conclamar os prefeitos a que fechem gargalos, onde o dano resulte menor.

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