O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, quer 30 meses para tornar a economia brasileira confiável ao mercado externo. Ele faz parte de uma equipe de governo que está há quase oito anos no poder. A seis meses de deixar o cargo, no caso de não se fazer sucessor, o prazo estipulado por esta autoridade monetária deve merecer reações inusitadas: gargalhada, revolta, indignação, piedade, angústia e até um estado depressivo coletivo.
Porque se não se fez em oito anos, muito menos será possível em 30 meses que, aliás, invadem a gestão do futuro governo. E este herdará, em vez de projetos, problemas, além dos já evidenciados nos números, valores e porcentuais do desemprego, das dívidas externa e interna, do risco-país e da inflação que galopa, ainda em ritmo moderado, mas já assustador.
Hilárico também porque o tecnocrata, embora vestido de político, esqueceu que seu governo tenta fazer um sucessor. E que este pretenso sucessor, já desgastado antes mesmo da decolagem da campanha eleitoral, mais se desgasta com estimativas como a dos 30 meses. Por que? Curta e objetivamente fica evidente que tais previsões são típicas de quem viveu quase uma década montado no poder e, quando fez algo, falhou. Então, jogam-se os problemas para a frente, tentando fazer crer que não se é responsável por eles.

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