A cada dia milhares de jovens brasileiros chegam aos 18 anos, que é a idade-referência para começarem a pensar em emprego, embora muitos já o busquem bem antes. Mas não há vagas para todos, porque se somam também os já desempregados que tiveram um emprego anterior. Domingo, em Londrina, 9.978 pessoas estavam inscritas na disputa de apenas 8 vagas de servidor da Câmara Municipal - com salários de R$ 1.795 a R$ 2.787. Entre os disputantes havia gente inclusive de pontos distantes como Pernambuco. Por essa amostragem constata-se o que já se sabe com relação ao Brasil: a escassez do emprego, obrigando as pessoas, especialmente jovens recém-formados ou não, a se lançarem em aventuras a todos os lugares do País para a conquista de um posto de trabalho. Para não falar das centenas de milhares que trabalham fora do País, como os descendentes de japoneses que se deslocam para o Japão e todos os demais que vão embora, principalmente para os Estados Unidos e Canadá, para a Europa e a Austrália. Ocorre agora com o Brasil o que aconteceu no passado em sentido inverso, especialmente com gente da Europa e do Japão. Quando isto ocorreu, esses pontos do mundo emergiam de guerras e estavam devastados, o que nunca foi o caso do Brasil, que tem os governos como grandes inimigos de sua própria gente, porque locupletam-se e não se dedicam a políticas de desenvolvimento. A propaganda governamental, pela palavra do presidente da República - no caso presente - é de que foram abertos milhões de empregos, mas a realidade é esta mostrada pelo exemplo do concurso ora realizado em Londrina. Se vagas de trabalho foram abertas - e não em quantidade suficiente, porém muito aquém - isto se deve à iniciativa privada e não a políticas incentivadoras do Governo. A menos que o poder público contabilize as vagas abertas em seu próprio sistema, para favorecer o empreguismo. Os governantes - leia-se as três esferas do Poder - têm cuidado de garantir seus próprios ganhos faustosos. E para o segundo mandato do atual Governo dito dos trabalhadores, não há grandes acenos de mudança para melhor, porque o que se anuncia são medidas de curto alcance e nada de revolucionário que consagre um governante. Nada que trate de grandes reformas de leis, de redução substancial de impostos, de contenção dos gastos públicos supérfluos e nada de incentivo às fontes de produção, que são as alavancadoras do crescimento econômico, da ocupação de mão-de-obra e do próprio aumento do volume tributário daí decorrente.

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