O primeiro mês da gestão Bolsonaro
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Na sexta-feira (1º), completa-se um mês da presidência de Jair Bolsonaro (PSL). Curiosamente, por pouco o presidente não ocupa o cargo na data - devido à cirurgia para retirada da bolsa de colostomia realizada na segunda-feira (28), ele deve retomar as atividades apenas nesta quarta-feira (30), em gabinete montado no hospital.
Um lugar-comum é que políticos eleitos para um novo cargo do Executivo têm uma "lua de mel" de cerca de cem dias com a opinião pública, mas já se sabia que, devido ao ponto de fervura na temperatura da vida pública nacional que não baixa desde os protestos de 2013, Bolsonaro não teria tanto tempo. De fato, o primeiro mês da sua administração gerou um noticiário agitado, no mesmo tom da campanha em que foi eleito.
O presidente, que já havia nomeado ministros de perfil conservador, novamente acenou para seu eleitorado com o decreto que flexibilizou a posse de armas, mas ao mesmo tempo teve parte do seu capital político queimado pelas denúncias contra seu filho, o senador eleito Flávio Bolsonaro. Outros fatos de repercussão foram o anúncio de um pente fino nos benefícios previdenciários e a suspensão de convênios com ongs da área ambiental por 90 dias.
No Fórum de Davos, se o discurso do presidente frustrou pela brevidade, a reiteração do ministro da Economia Paulo Guedes de compromisso com o ajuste fiscal, especialmente via privatizações e reforma da Previdência, acalmou investidores.
Agora, com o início das novas legislaturas no Congresso Nacional na sexta-feira, será justamente a mudança previdenciária que permitirá aferir a saúde política do governo Bolsonaro e se os apoios que o presidente alega ter granjeado serão suficientes para lhe garantir uma gestão tranquila - como podem testemunhar os ex-presidentes Fernando Collor e Dilma Rousseff, não é prudente recorrer à soberba e desprezar o Legislativo. Além de buscar acalmar os nervos do mercado e dar sequência ao processo de retomada econômica iniciado por Michel Temer (PMDB), o presidente tem as rédeas na mão para apaziguar as relações institucionais, abaladas há anos. Uma reconciliação importante para o sucesso dos projetos dos novo governo.



