O presidente traído pelo MST
Renato Merem
Sim, é isto mesmo. O presidente da República que já injetou mais de R$ 13,5 bilhões e pretende injetar mais R$ 5 bilhões na reforma agrária, só no ano de 2000, vem sendo traído constantemente pelo MST. Segundo dados do Incra, 400 mil famílias foram beneficiadas pelo programa da reforma agrária durante o governo Fernando Henrique, ao modesto custo de US$ 40 mil por família assentada, segundo dados da FAO.
Mas os sem-terra estão descontentes e pretendem empreender uma ofensiva de ‘‘luta econômica’’ contra o governo federal, tendo iniciado na semana passada esta luta, fazendo o que mais sabem: invadir. Desta vez os alvos não foram as nossas fazendas e sim 12 prédios públicos, a maioria do Ministério da Fazenda, tentando obrigar o ministro da Fazenda Pedro Malan a liberar mais recursos, pois, não estão contentes com o que têm recebido – casa para morar, luz, energia, rodovia e créditos subsidiados.
Gilmar Mauro, líder do MST, lança um torpedo contra o governo ameaçando-o de um levante no campo. O presidente responde que eles ‘‘ultrapassaram o limite da legalidade’’.
O presidente da República talvez não esteja bem informado, mas este limite já foi ultrapassado há muito tempo e o que mais constrange a Nação brasileira é o que o governo federal, através do Incra, continua a dar bilhões e bilhões de reais num programa de reforma agrária retrógrado, pois dá terra a quem invade, enquanto deveria sim puni-los. É ultrapassado pois está baseado no Estatuto da Terra, e arcaico pois as leis são da época da Revolução de 64. Mas cabe lembrar que naquela época tínhamos punho forte para defender a Constituição que vem sendo queimada dia a dia, por esses pseudo-sem-terra que, na verdade, são guerrilheiros que pretendem a tomada do poder.
A nova reforma agrária de FHC vem se concretizando, através de medidas provisórias e portarias do ministro Jungmann, que são o combustível usado pelo exército destruidor do sem-terra. Segundo se noticiou pela imprensa nacional, serão abertos inquéritos para apurar a responsabilidade.
Aliás, esses inquéritos já deveriam estar abertos e esses baderneiros já deveriam estar atrás das grades há muito tempo, pois é o que merece quem destrói a comemoração de 500 anos de um país, obrigando inclusive o presidente a mudar o roteiro da festa, que poderia ser chamada ‘‘Festa da Vergonha Nacional’’, quando índios e negros foram utilizados como massa de manobra pelo MST com intuito de promover aquela enorme e vergonhosa baderna.
Num país vizinho nosso, a Colômbia, seu presidente já doou parte do território às FARCs e aqui no Brasil estamos vendo o governo doar, dia após dia, terras dos produtores nacionais para os guerrilheiros do MST, que pretendem tomar o coração do Brasil e fazer nele o Estado independente do MST, que seria formado pelos pontais do Estado de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Que Deus nos proteja! Veja o que os sem-terra aprenderam no Curso de Capacitação de Militantes de Base do Cone Sul, realizado em Sidrolândia (MS), na Casa de Formação São Francisco de Assis, no período de 18 de abril a 8 de maio de 99! A cartilha prega em determinado trecho os desafios do MST para ocupação de novos espaços na sociedade: ‘‘Nuestra tarea es colocar en el centro de la lucha la reforma agraria, esta debe ser la bandera que unifique la intención de la sociedad como objetivo estratégico. Y como organización del MST, sin preocuparnos quiénes son sus líderes. A partir de eso debemos procurar en la sociedad cuáles son las organizaciones que tienen carácter y principios revolucionarios cuyo pensamiento esté vuelto para la organización revolucionaria del pueblo, y así establecer criterios en torno de puntos convergentes’’.
Terminam este trecho com a frase de efeito que tanto adoram: ‘‘Hasta la vitoria, siempre!’’. Vitória esta que poderá ser amarga para todos nós brasileiros que amamos este País.
- RENATO MEREM é secretário nacional do Movimento Nacional de Produtores, que reúne 210 entidades ruralistas, em Campo Grande

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