O presidente e a voz do povo
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 2003
Sebastião Ferreira Macedo 
A linguagem é uma das formas básicas de comunicação entre as pessoas e os povos, principalmente, a falada. No Brasil, país continente, somos abençoados com uma língua única e, descontados os sotaques e bairrismos, pouco haverá que um bom dicionário não possa resolver.
No entanto, sem desmerecer as instituições e, principalmente, quem cremos seja a razão de ser das instituições, isto é, as pessoas, a acomodação e a elitização do poder público, não sabemos se pela necessidade de se manterem afastadas do povo por receio de vulgarização ou por sectarização de classe, mormente devido ao seu status de dependência vitalícia ou temporária do erário público, pela pela permissão, mandato ou nomeação, onde se fala em teto salarial, algumas dessas pessoas, a saber de alguns setores do executivo, legislativo e judiciário, neles nascidos ou adotados, se encastelam em casas e dialetos diferentes da realidade do país em que vivemos.
Nesse particular, sentimos que o dialeto jurídico necessite passar por uma reformulação no sentido de se sair do ''latim'' para falar uma língua que o povo entenda, senão, a cada fala do Presidente da República, saído do povo, há que se chamar um intérprete para explicar a alguns ministros/magistrados ''do outro mundo'' o que um simples mortal brasileiro quer dizer e que todos os outros simples mortais entendem: caixa preta significa que o povo não consegue entender o que estão explicando sobre a justiça, cega, surda e muda em relação aos pobres, que parece não ter nada a ver com a impunidade, morosidade, e que, se tudo está tão bem explicado, porque o receio de um controle/fiscalização/cooperação de outros mortais no sentido de, saindo da floresta para ver as arvores, oferecer uma visão imparcial de uma realidade que, nunca estará tão boa que não possa ser melhorada.
É claro que não vale jogar a culpa nos outros poderes pela situação do ''seu'' poder, porque, enquanto os poderes ''brigam'' ou acham que não podem ser objeto de avaliações, nem entre si, o povo, que paga a conta, vai apelar para que poder? É certo que, só agora, se esteja iniciando na Inglaterra uma pesquisa de opinião junto ao povo a respeito do uso de peruca nos tribunas daquela corte, mas, de preferência, é melhor que aqui, acordemos antes com o clamor do povo, em linguagem do povo.
O Brasil e o presidente e o povo não são virtuais.
SEBASTIÃO FERREIRA MACEDO é educador em Londrina


