Muito tem se falado das medidas tímidas que o nosso presidente tomou em seu primeiro ano de governo para fazer a economia crescer e, consequentemente, reduzir o alarmante índice de desemprego. Promessas e lançamentos de programas com grande exposição na mídia foram realizados aos montes. Entretanto, na prática, foram uma decepção.
Claro que é cedo para se formar uma opinião totalmente negativa do governo Lula, ele tem ainda muito crédito e pode perfeitamente reverter este quadro se enfrentar de frente o principal causador desta situação: o sistema financeiro. Lançar programas de empréstimos a juros de 2,8% ao mês é praticar agiotagem oficializada, mesmo sendo juros inferiores aos praticados por financeiras e bancos que investem em propagandas na TV, rádio e jornais.
É a mesma coisa de um vender cocaína e outro vender maconha! O governo tinha que oferecer empréstimos com taxas de juros determinadas pelo Conselho Monetário Nacional, que hoje é de 16% ao ano. Como se não bastasse, o governo disponibilizou recursos para os bancos emprestarem o chamado microcrédito. Vocês acham que um gerente que ganha comissão sobre qualquer empréstimo realizado, levando em consideração que quanto maiores os juros, maior será sua comissão, vai deixar de emprestar dinheiro mais caro para emprestar o mais barato? Claro que não.
Mesmo assim, é um absurdo o próprio governo emprestar dinheiro com juros acima dos índices oficiais e acima do que determina o decreto-lei 22626/33, a chamada Lei da Usura. Ora, se o próprio presidente fica reforçando que no Brasil tem lei que pega e lei que não pega, o que se pode esperar desta postura? Nosso presidente tinha que falar que toda lei tem que pegar.
Juntamente com os juros, vem uma gama de exploração e ilegalidades como venda casada, que consiste em realizar empréstimos às pessoas desde que obtenham um seguro ou título de capitalização. Taxas e tarifas debitadas sem a menor explicação para ''fazer receita'' (gerentes e diretores de bancos sabem muito bem o que quer dizer isto!) e retenção dos salários dos funcionários públicos, integralmente, para amortização de dívidas.
Uma festa de ilegalidades que deixa a população refém, completamente fragilizada, mas ainda sonhando que o nosso presidente tenha coragem de enfrentar os banqueiros que estão bilionários e contribuindo decisivamente com a falência dos pequenos e microempresários e a miséria do povo. Faça a lei pegar, presidente. Não só esta especificamente, mas todas as leis.
EMANUEL GONÇALVES DA SILVA é consultor de dívidas

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