Os próximos quinze meses de mandato municipal serão decisivos tanto para os administradores que pretendem a reeleição como para os que desejam a continuidade de seu trabalho através de uma indicação sucessória. A consolidação das idéias e obras do atual mandato estão sob crescente risco, a contar de agora.
Um dos quesitos fundamentais a serem considerados na avaliação de uma administração é o desempenho de sua equipe interna, a qualidade da prestação dos serviços. Este é um cartão de apresentação da administração. É a identidade do próprio administrador. Em outras palavras: ''quem vê cara, vê coração''.
Pesquisas desenvolvidas pelo Programa de Qualidade no Serviço Público, do Ministério do Planejamento, revelaram que o treinamento dirigido aos colaboradores de uma prefeitura atua positiva e eficazmente a favor do administrador que o empreende. A equipe tende a trabalhar em maior convergência com os princípios administrativos em curso e identifica-se com eles.
Treinar é muito mais do que ensinar algo a um funcionário ou a uma equipe. Treinar é a arte de aperfeiçoar o desempenho. Uma equipe com atitudes positivas, aceita melhor os novos desafios e prepara-se para metas de longo prazo. Isto é qualificação.
O pensamento de que, por ser mão-de-obra concursada e estável, o funcionário público não irá absorver com grande interesse ou reagir positivamente frente a um treinamento não corresponde à verdade cientificamente comprovada. Ao contrário. Existe uma facilidade muito maior ao aprimoramento da mão-de-obra pública do que de sua correspondente na iniciativa privada. A explicação é simples. Está mais exposta aos problemas sociais do público com quem convive e, por isso, é mais sensível e maleável. Tende muito mais rapidamente à humanização.
Todo e qualquer investimento na qualificação e capacitação de funcionários e colaboradores é profícua e confere a cada um deles a motivação necessária para o trabalho em busca de realização pessoal. Treinar o corpo de colaboradores significa fazer pessoas mais dignas e conscientes da função que desempenham. Quem ganha com isso? O público, primeiro. Depois, a equipe, que se profissionaliza. Por fim, o próprio administrador que recebe o reconhecimento e os méritos devidos.
O treinamento tem o poder de aprimorar as qualidades das pessoas e, com isso, a produtividade aumenta. Treinar um grupo significa, antes de tudo, ajudar os seus integrantes a usarem ao máximo seu potencial, a superarem seus limites, a atuarem como seres humanos frente a seres humanos.
Não há resistência em admitir que o administrador que investe na qualificação e na motivação de sua equipe merece, de fato, o título de administrador. Ele gera multiplicadores de idéias e de ações. Está apto, neste quesito, a concorrer pela continuidade de seu mandato. Está pronto, inclusive, para tornar-se uma boa notícia diante de toda a sociedade.
ABRAHAM SHAPIRO é empresário e consultor de empresas em Londrina

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