O preço dos extremos climáticos
Prejuízos registrados com temporais na região engrossam as estatísticas nacionais
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sexta-feira, 07 de novembro de 2025
Prejuízos registrados com temporais na região engrossam as estatísticas nacionais
Folha de Londrina 
A sucessão de eventos climáticos extremos nos últimos meses reforça o alerta que a ciência vem fazendo há décadas. O planeta está mais quente, e os efeitos desse aquecimento já se manifestam de forma concreta — no campo, nas cidades e na economia. As tempestades que atingiram a região de Londrina no início da semana, provocaram estragos nas cidades e principalmente no campo. Alvorada do Sul e Pitangueiras foram os municípios mais afetados, como mostrou a FOLHA.
Um levantamento da Confederação Nacional dos Municípios mostra que os desastres associados às mudanças do clima — secas, enchentes, deslizamentos e incêndios — custaram R$ 732 bilhões aos cofres municipais entre 2013 e 2024. Quase todas as cidades brasileiras foram afetadas. O número de decretos de emergência ou calamidade pública ultrapassou 70 mil, e mais de 6 milhões de pessoas tiveram de deixar suas casas. Ainda assim, apenas 12% dos municípios contam com estrutura administrativa específica para lidar com o tema.
A falta de preparo institucional contrasta com a urgência dos dados científicos. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, 2025 deve ser o segundo ou terceiro ano mais quente já registrado. A sequência de recordes térmicos indica que o planeta já ultrapassou temporariamente o limite de 1,5°C acima da média pré-industrial, patamar definido como seguro no Acordo de Paris. O secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu que cada ano acima desse limiar trará perdas econômicas, desigualdades ampliadas e danos irreversíveis.
Enquanto isso, o Brasil recebe em Belém a Cúpula do Clima, etapa preparatória para a COP30. Em seu discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que a humanidade está diante de uma escolha: continuar ampliando a crise ou agir com a coragem e a determinação necessárias para revertê-la. A transição energética e a preservação das florestas, destacou, são caminhos inadiáveis.
A realidade, porém, é que os impactos já chegaram à porta de cada comunidade. No Norte do Paraná, os prejuízos de temporais recentes expuseram a vulnerabilidade de propriedades rurais e áreas urbanas. Levantamento de uma seguradora mostra 160 acionamentos por danos causados pelos temporais na região. No Nordeste, a seca se prolonga. No Sul, as enchentes se repetem. O cenário exige mais que discursos — requer planejamento, prevenção e cooperação entre governos, setor privado e sociedade civil.
As cidades brasileiras, especialmente as de médio porte, precisam se preparar para um novo tempo. Isso passa por fortalecer defesas civis, adotar planos de drenagem e ampliar o acesso a seguros agrícolas e habitacionais. Também implica conscientização e mudança de comportamento, da gestão pública ao cotidiano de cada cidadão.
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