O preço da violência
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) divulgou uma informação estarrecedora: o Brasil gasta US$ 84 bilhões, o equivalente a 10,5% do seu PIB, em consequência de atos de violência. Como conclusão natural e lógica, pode-se entender que combater a violência representa, se não um esforço voltado para os aspectos humanos e cristãos, uma decisão de cunho econômico da mais alta relevância. Reduzir os gastos que envolvem, entre outras coisas, custos de atendimento hospitalar e de medicamentos, além de representar uma melhoria nas condições de vida das vítimas da violência, também constitui um fator importante no esforço que deveria ser nacional de conter desperdícios. Há a considerar ainda o valor quase impossível de calcular da perda que se origina como resultado da violência. Não se trata unicamente de vidas que se perdem, mas de danos pessoais que são incalculáveis. E quando se sabe que a violência mais frequente registrada no País é a doméstica, atingindo crianças, mulheres, idosos e deficientes, então tem-se um quadro mais assustador. Ao mesmo tempo, porém, a própria enunciação desta realidade indica caminhos para enfrentar de modo adequado este desafio.
A boa notícia que vem junto com esta verdadeiramente espantosa informação é o lançamento, pela Pastoral da Criança da Igreja Católica, de uma campanha nacional de prevenção à violência contra a criança no ambiente familiar. A campanha, que ganhou o expressivo nome de ‘A paz começa em casa’, está sendo realizada junto às 30 mil comunidades atendidas pela Pastoral em 3.166 municípios de todos os Estados do Brasil. A campanha é realizada em duas frentes: a primeira, mais direta, envolve quase 120 mil líderes comunitários para um atendimento que será feito a 1 milhão de famílias que já estão sendo atendidas pela Pastoral; a segunda, pretende levar a prefeitos e governadores propostas e sugestões visando produzir melhor ambiente nas famílias.
Nota-se, pelos números, que é uma mobilização bastante ampla, atingindo diretamente ponderável parcela dos municípios no País. Mas é óbvio que o ideal seria um alcance nacional, pleno. Ademais, quando se percebe a amplitude desta campanha, é possível entender que se trata de um trabalho que merece não apenas elogio, mas também apoio e participação. Sob a ótica cristã, é um problema que efetivamente deve mobilizar todas as igrejas criadas sob a inspiração de Jesus Cristo. Ampliando, porém, a visão, percebe-se que este esforço representa um fator de enorme relevância para produzir condições melhores de vida a milhões de brasileiros, independente de crenças religiosas. É, na verdade, uma batalha que deveria envolver todas as forças do País. Afinal, pelo simples aspecto econômico, é possível perceber que vencer a violência é um modo de criar condições para melhorar a vida do brasileiro. E os valores que deixem de ser gastos como resultado disto poderiam ser aplicados em benefício do próprio desenvolvimento social e econômico do País.
Ademais, é igualmente válido observar que o combate à violência deve ir além do âmbito doméstico. Ocorre que existe um clima violento no Brasil como no mundo. Tais são as circunstâncias que a população acaba quase que anestesiada, reagindo passivamente ante esta ameaça. Uma vez mais, é importante insistir que até mesmo pelo aspecto econômico é fundamental a formação de um trabalho para conter a violência, em todos os lugares. No âmbito doméstico, eventualmente, a abordagem há de ser pela educação, assistência, apoio. Já no comunitário, trata-se de entender que é necessário melhorar as condições de segurança para garantir a redução no índice da criminalidade.

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