O preço da omissão
Todo verão é a mesma história: recordes de infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, como a anunciada pela Secretaria de Saúde de Londrina na última semana. Levantamento do Índice Rápido do Aedes (Lira) detectou que a infestação do mosquito chega a 13% no Conjunto Novo Amparo (Zona Norte). A média na cidade é de 4,5%, enquanto o aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 1%.
Segundo o setor de Endemias do município, o depósito de lixo nos quintais das casas é o principal criadouro do mosquito - 85% dos focos foram encontrados em residências e 15% em terrenos baldios e fundos de vale. Agentes de combate à dengue, que teriam como prioridade orientar a população, precisam fazer uma espécie de ''faxina'' para conter a proliferação da doença.
Números mais do que suficientes para causar indignação e estarrecimento diante de todo aparato de comunicação existente para minimizar a transmissão da doença. Apesar de toda deficiência do setor público, neste caso, ninguém pode alegar desconhecimento da forma de procriação do mosquito, e cada um deve assumir o seu papel.
''É um problema seríssimo. As pessoas estão querendo se acomodar com relação à dengue, e a dengue mata. Mata como, por exemplo, a gripe A, que nós tivemos aí, e precisa de um combate tenaz, permanente'', alertou o secretário Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian. A infestação do mosquito é preocupante em todas as regiões do Estado.
Não faz tanto tempo, Londrina enfrentou uma epidemia de dengue. No verão 2002/2003, cerca de 6 mil pessoas contraíram a doença. Também foram registradas mortes. Hoje são quatro casos confirmados e pelo menos 150 notificações.
E pensar que tudo isso poderia ser evitado com medidas tão simples, como jogar o lixo no lugar certo. O pior é ver que nem a multa prevista - que vai de R$ 161 a R$ 16 mil - mobiliza a população que pode vir a pagar novamente pela omissão com a própria vida.





