O preço da estagnação brasileira
Muitas vezes temos a sensação de caminhar sobre uma esteira: fazemos um enorme esforço, mas permanecemos no mesmo lugar
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segunda-feira, 20 de julho de 2026
Muitas vezes temos a sensação de caminhar sobre uma esteira: fazemos um enorme esforço, mas permanecemos no mesmo lugar
Quando analisamos a trajetória da economia brasileira nas últimas décadas, é natural buscarmos comparações com outras nações para entender o que está acontecendo com o nosso país. Muitas vezes temos a sensação de caminhar sobre uma esteira: fazemos um enorme esforço, mas permanecemos no mesmo lugar. O mais preocupante é que podemos estar nos acostumando a esse desempenho, como se a estagnação fosse inevitável.
O Brasil possui características que poucos países reúnem: um dos maiores territórios do planeta, abundância de recursos naturais, clima favorável, população empreendedora e um grande mercado consumidor. Diante de tantas vantagens, por que crescemos tão pouco?
A resposta não parece estar na falta de potencial, mas nas escolhas feitas ao longo do tempo. Em sucessivos governos, medidas de curto prazo frequentemente prevaleceram sobre políticas permanentes de desenvolvimento. Programas sociais são indispensáveis para proteger quem mais precisa, mas devem promover inclusão e retorno ao mercado de trabalho, sem comprometer a capacidade produtiva do país. Da mesma forma, leis e regulamentações precisam proteger direitos sem criar um ambiente de burocracia e insegurança que afaste investimentos e reduza a competitividade.
O resultado aparece em praticamente todas as áreas: infraestrutura deficiente, educação aquém do desejável, longas filas na saúde, problemas de segurança, saneamento insuficiente e dificuldades para gerar empregos de qualidade. Quando a economia cresce pouco, o Estado arrecada menos, investe menos e encontra maiores dificuldades para oferecer serviços públicos de qualidade. No fim, a conta sempre recai sobre a população.
Os números ilustram essa realidade.
Ano Brasil Índia Estados Unidos
2010 2,21 1,68 15,05
2015 1,80 2,10 18,24
2020 1,48 2,67 21,06
2025 2,29 3,97 30,62
PIB em trilhões de dólares
Em quinze anos, o Brasil praticamente voltou ao mesmo patamar econômico de 2010. A Índia, que possuía uma economia menor que a nossa, passou a ter um PIB cerca de 70% superior. Os Estados Unidos, mesmo já sendo a maior economia do mundo, praticamente dobraram seu PIB no mesmo período. Como a população brasileira continuou crescendo, nossa renda por habitante praticamente se manteve no patamar de 15 anos atrás. Em outras palavras, enquanto outras economias enriqueceram, o Brasil praticamente ficou parado.
Basta olhar para um país vizinho para perceber como escolhas econômicas produzem resultados diferentes. O Paraguai vem promovendo estabilidade fiscal, segurança jurídica e atração de investimentos. Ainda enfrenta desafios, mas já colhe os resultados de uma estratégia voltada ao crescimento e à geração de empregos.
O Brasil possui recursos muito superiores e um mercado infinitamente maior. Falta, porém, transformar essas vantagens em desenvolvimento sustentável por meio de políticas de Estado, capazes de estimular investimentos, produtividade, inovação e geração de empregos.
Mais do que discutir governos ou ideologias, o verdadeiro desafio é construir um projeto de país que sobreviva aos mandatos e às disputas eleitorais. As nações que prosperaram fizeram da educação, da infraestrutura, da segurança jurídica e da produtividade prioridades permanentes. O Brasil pode fazer o mesmo.
A pergunta que permanece é simples: até quando continuaremos desperdiçando um potencial que poucos países possuem? O futuro do Brasil dependerá menos das riquezas que recebeu da natureza e muito mais da capacidade de fazer escolhas responsáveis, que priorizem o crescimento econômico, a geração de oportunidades e a melhoria da qualidade de vida da população. Nenhum país se desenvolveu por acaso; todos chegaram lá porque decidiram transformar potencial em realidade.
Ary Sudan, empresário





