O preço da carne
Acredito que, diante da polêmica em torno do preço da carne, há uma certeza: o produto não ficará mais barato. A afirmação é feita com segurança por várias razões. A primeira é que os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), assim como todos as nações em desenvolvimento, começaram a consumir mais alimentos notadamente nos últimos três anos, principalmente a carne.
Atribuo tal fato ao crescimento da economia global e à consequente melhoria na distribuição da renda. Fica fácil entender que a procura ficou maior do que a oferta e os preços naturalmente subiram.
Outro ponto a destacar, e daí a certeza de que os preços não vão cair, é que para o mercado produtor atender a demanda adicional, precisará produzir os animais para o abate. No momento, isto não é viável, porque, historicamente, os pecuaristas não têm conseguido bons resultados com o seu negócio.
Explico: foram forçados, principalmente nos últimos anos, a desfazer-se de suas matrizes produtoras de bezerros. Isso significa que precisaremos primeiro produzir matrizes que consumirão cerca de três anos para procriarem.
Desta forma, teremos de esperar por seus filhos, pelo menos mais dois ou três anos, para serem abatidos. Só daqui a cinco ou seis anos poderemos atender a demanda adicional.
Os subsídios e proteções dos países do primeiro mundo são, também, os grandes responsáveis por esta situação. Levaram à inanição a pecuária dos países pobres e em desenvolvimento nos anos recém-passados. Isso desestimulou os produtores locais, que foram obrigados a ver o seu produto ser exportado a preços baixos, competindo com a carne injustamente subsidiada.
Por culpa deles, foram-se as matrizes para o abate e agora até as conseguirmos novamente produzindo teremos de esperar com paciência. Os pecuaristas, hoje, recebem mais pelo preço da carne, entretanto, os seus lucros não aumentaram na mesma proporção. Isto, pela simples razão de que os insumos para a pecuária - aí inclusos sal mineral, fretes, vacinas, produtos farmacêuticos e outros - aumentaram nos últimos 12 meses em até 100%.
É certo que o pecuarista brasileiro responderá a esta demanda reprimida produzindo. E produzindo como sempre o fez, em momentos bons ou ruins, só que desta vez com mais alegria.





