Em breve, os usuários que retiram água bruta dos rios e reservas subterrâneas, como empresas de saneamento e indústrias, terão que pagar pelo recurso. É o que prevê os cinco planos de bacias hidrográficas para planejamento do uso das águas que estão sendo preparados no Estado do Paraná. Em fase de elaboração estão os planos das bacias do Norte Pioneiro, Piraponema, Baixo Ivaí, Tibagi e Jordão. Dois já estão concluídos, para as bacias Paraná 3 e Alto Iguaçu. Neste último, a cobrança já está sendo realizada da Região Metropolitana de Curitiba até União da Vitória. Indústrias dessa região que tiram água dos rios para suas etapas de produção e também companhias de saneamento pagam por esse uso.
Os planos paranaenses foram inspirados no modelo francês. Eles são elaborados pelos comitês de cada bacia hidrográfica formados por Estado, municípios e usuários da água, como indústrias e as próprias empresas de saneamento e energia. O objetivo é planejar o uso das águas e estabelecer o critério para cobrança do produto tirado diretamente dos rios, baseado em um diagnóstico que mostra à sociedade a quantidade de água disponível nos rios dessas bacias, a qualidade dessa água e que tipo de uso que está sendo feito. Os usuários da zona urbana pagam pelo serviço de saneamento, mas não pagam pelo produto. Com esse planejamento, quem tira água bruta dos rios ou das reservas subterrâneas também terá que pagar. O valor cobrado pelo uso deverá ser integralmente utilizado para obras de recuperação da qualidade da água, para evitar escassez e também problemas com enchentes.
A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) fez um estudo no ano passado para avaliar o impacto da cobrança sobre o setor – R$ 0,01 por metro cúbico utilizado. Segundo a federação, o estudo não mostrou grande impacto financeiro. Mas a federação reclama que não tem informações sobre como esses recursos são utilizados. A transparência na aplicação do dinheiro é fundamental para que o programa dê certo.
Além de pagar pelo uso, as empresas devem buscar o uso racional da água e investir em projetos para o reuso do produto. E vale lembrar que depois da série crise hídrica vivida pelo estado de São Paulo, ano passado, falar em gestão da água é falar em segurança e bem-estar para a população.

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