O PPS e uma nova ordem política - Rubens Bueno
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de março de 1999
Rubens Bueno 
O Brasil é um país imenso, rico em recursos materiais e humanos, que em um curto período de tempo foi capaz de tornar-se uma das dez maiores economias do mundo.
Mas, apesar de suas grandes riquezas e potencialidades, o Brasil não conseguiu ainda que a prosperidade e o desenvolvimento sejam uma realidade para a maioria de sua população. Ao contrário, às vésperas de comemorar os 500 anos de seu descobrimento, o Brasil apresenta-se como um país onde a maior parte de sua população é vítima e não tem nenhuma perspectiva de um futuro digno. Como foi possível chegar a esta situação de profunda desiguldade?
De forma muito sintética podemos afirmar que a dificuldade de construir um Brasil próspero para todos tem origem nos valores, modelos de gestão e procedimentos que orientaram e orientam ainda o crescimento e o desenvolvimento da nação brasileira.
o Brasil, assim como se encontra, é o resultado de um processo de desenvolvimento autoritário, excludente e elitista, levado a cabo de forma a preservar e perpetuar os interesses das oligarquias nacionais.
É a força desses grupos que promove e perpetua as desigualdades sociais brasileiras. Os modelos de gestão praticados no Brasil, tanto no setor público como na iniciativa privada, têm como propósito a concentração da riqueza, do saber e da propriedade nas mãos de poucos. E é por isso que ainda há tanta pobreza, ignorância e desesperança entre nós, apesar do progresso e da modernização da sociedade brasileira, de seu enriquecimento e da importância crescente do papel desempenhado pelo Brasil na economia e na política internacionais.
Em um momento histórico marcado pela globalização da economia e por enormes mudanças tecnológicas, fenômeno que o Brasil precisa acompanhar, os interesses destas oligarquias, reacionárias e demagógicas, estão mais do que nunca em desarmonia com as necessidades do resto do País.
Ameaçadas pela competição internacional, as elites brasileiras tentam manter por todos os meios o poder para defender seus interesses em detrimento da população. Como consequência, a crise e as mazelas que afligiram os brasileiros ao longo de sua história aprofundam-se.
O Partido Popular Socialista, PPS, propõe a adoção de novos valores, novas formas de gestão e de novos procedimentos estratégicos para gerir as riquezas nacionais, desenvolver nosso potencial latente e promover o bem estar do povo brasileiro. Valores, formas de gestão e procedimentos que compõem o ideário das mais modernas correntes de centro-esquerda da atualidade.
Nossa proposta baseia-se na racidalidade democrática e na universalidade da cidadania como ponto de partida para que a grande maioria da população, hoje excluída do processo de construção nacional, tenha voz ativa na construção de uma nova ordem política e social.
Acreditamos que este seja o melhor caminho para acabar com a alienação, as injustiças sociais, a fome, as enfermidades, o subdesenvolvimento, a marginalização social, a manipulação cultural, a violência, a opressão sexual, o racismo e a degradação ambiental que são o resultado direto da má condução do País ao longo de sua história.
Uma pauta de mudanças urgentes, que o PPS oferece como uma contribuição para reconstrução nacional em novas bases democráticas, passa necessariamente pela recuperação da capacidade de investimento social do Estado brasileiro, pela queda dos juros praticados no mercado interno e abertura de linhas de crédito para investimentos produtivos, pela capacitação e defesa da indústria nacional acompanhada da quebra de monopólios e democratização do mercado, pela garantia do poder aquisitivo para ampliação do mercado interno de consumo, pela valorização e aperfeiçoamento da educação em todos os níveis.
Todas estas medidas dependem da conscientização de nossos problemas e potenciais a partir de uma análise que leve em conta o desenvolvimento pleno do Brasil em benefício de todos os brasileiros.
Esta postura representa o pensamento político das esquerdas avançadas, que, defendendo a democracia, propõem-se a garantir o espaço e os direitos do homem no processo produtivo. Não se trata de antepor o capital ao trabalho, dentro da cartilha das esquerdas revolucionárias, radicais e incendiárias, mas de garantir ao homem condições dignas de existência.
O Brasil precisa ainda percorrer um longo caminho para que posa ostentar o status de país desenvolvido e próspero. No entanto, precisa desde já tornar-se um país justo. Para isso precisamos juntos adotar uma nova atitude em defesa dos direitos daqueles mais desfavorecidos, que sempre foram vítimas da exploração dos poderosos que comandaram este país.


