Cada greve, por mais justa que seja, deixa sequelas e quem paga por elas não é nenhuma das partes envolvidas, patrões e empregados, mas o conjunto da população. Deu para percebê-lo ontem na volta do funcionamento das agências bancárias que ficaram fechadas durante o movimento dos vigilantes: uma pressão inusitada da clientela tornou o atendimento um tanto quanto deficiente com filas que tornavam inúteis as disposições de leis municipais que fixam o tempo máximo para a prestação do serviço.
Mesmo com os aparatos da tecnologia, que abreviam as operações, deu para perceber que havia a sensação de uma greve continuada, sem fim. Ontem mesmo havia essa disputa entre a Secretaria de Educação e a APP-Sindicato em torno do professorado provisório que, pelo gradativo tom de radicalização que vai assumindo, pode se transformar no primeiro teste de peso do governo Beto Richa com a categoria melhor articulada entre trabalhadores privados ou públicos.
São quase dez mil mestres que não poderiam ministrar aulas se o governo não derrubasse a liminar do Tribunal de Justiça que favorece os sindicalistas. Mau, para não dizer péssimo, início de ano letivo e ônus para um secretário, Flávio Arns, que se acreditava o mais hábil e adequado para o diálogo.
Essas circunstâncias, somadas a outras (hoje, por exemplo, o sindicato patronal e dos trabalhadores do transporte coletivo fazem mais uma reunião para o ajuste de tabelas salariais e que se refletirá nas tarifas), mostram que poderemos entrar num ciclo de manifestações grevistas como se deu com os celetistas do Hospital de Clínicas vinculados à Fundação da UFPR.
É indispensável que nas greves de atividades essenciais a Justiça do Trabalho crie mecanismos emergenciais que salvaguardem, ao menos em parte, os interesses da população, estabelecendo cotas mínimas de trabalhadores. Pensar numa greve de hospitais ou de uma estação de tratamento de água, sem essa cautela, é impossível. Não é justo que a maioria pague com máximo sacrifício o desentendimento de uma minoria em suas divergências salariais.

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