A reconstituição do pátio do Museu Histórico de Londrina, com encenação da chegada de autoridades, corretores vendendo terras, casais de namorados circulando, jornaleiros anunciando a construção da ponte sobre o rio Tibagi, engraxates oferecendo seus serviços, colonos colhendo café, meretrizes descendo de charretes, famílias de pioneiros correndo apressadas para pegar o ônibus a lendária 'Catita' tudo isso interagindo com o público. Uma viagem ao passado transportará as pessoas presentes ao dia 25 de julho de 1935, quando o primeiro trem chegou, exatamente naquele local. Será um espetáculo de revivência dos anos de antigamente, em Londrina, encenado por 140 atores da Escola Municipal de Teatro, e faz parte das celebrações dos 70 anos de emancipação política do município. A promoção é da Sociedade Amigos do Museu Histórico e realiza-se à noite, na sede do Museu, abrindo a exposição 'O Povo Que Fez e Faz Londrina', mostrando muitas coisas mais, como utensílios e ferramentas utilizadas na época pelos pioneiros.
O convite para a exposição está estampado sobre a reprodução da primeira página da ''Folha de Londrina'' de 19 de julho de 1950 e que anunciava, em manchete, a inauguração para o dia seguinte da estação ferroviária hoje sede do Museu. Desnecessário dizer da importância da linha férrea e da presença do trem para o crescimento tão surpreendente da aldeia de então e que resultaria na metrópole de hoje. Pela ausência de rodovias pavimentadas, a estrada de ferro era o caminho por onde haveria de trilhar o desenvolvimento, e ele foi ocorrendo de forma tão veloz que deixava perplexos os próprios pioneiros. Eles viam o perfil da cidade ir se modificando a cada nascer e pôr-do-sol, com mais e mais gente chegando, desde que os primeiros desbravadores aqui aportaram na segunda metade da década de 20. Hoje, daqueles pioneiros das primeiras horas, cerca de três centenas ainda vivem, e é certo que muitos deles estarão presentes na celebração de hoje à noite, a mostrar que a história de Londrina ainda ainda está sendo escrita por personagens vivos.
Falar da exuberância desta cidade é sempre pouco, porque o pioneirismo do passado reproduz-se nos dias atuais, com novos empreendimentos que vão surgindo, da mesma forma como um dia a população assistiu à chegada do trem. Apesar das dificuldades que a nação enfrenta, Londrina parece desafiar obstáculos e ainda hoje vai expandindo constantemente o seu perfil urbano e a sua estrutura instalada, graças principalmente ao empreendedorismo privado. Se problemas sociais existem e clamando por solução eles caminham lado a lado com o desenvolvimento e parecem inerentes, até porque atraídos por essa dinâmica e por isso exigindo a vigilância atenta e responsável do poder público. A encenação desta noite ocorre paralela ao espetáculo vivo que se desenrola no palco com 500 mil atores, até hoje apressados, como os pioneiros que corriam para não perder o ônibus e o trem.

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