Esta eleição teve o cheiro e o gosto da revolução sem armas, da indignação jogada nas urnas com a fúria... do brado ''Independência ou morte''; para mim a melhor forma delas, pois ali não corre sangue, não há mortandade, não há o estraçalhar de vidas.
Até nisso o Brasil é rico, pródigo no inovar. Das surradas urnas em que o sufrágio manual se viu à margem pelo chegar de avançada tecnologia, até a explosão de indignação que atravessou todos os recantos desse país... proporcionando-lhe o respirar necessário, a revolução melhor - a das urnas - clamou em alto tom: ''mudanças''.
Como não sou afeito a declarar voto vencedor por conveniência após as eleições, farei uma análise dos meus apoios nesta eleição.
Para presidente - tendo em conta o mar bravio que por aí vem, e o conhecimento do que fazer - votei em Serra. Fui voto vencido.
Para governador e considerando-se o excepcional governo que fez na última vez, e por ser melhor que seu opositor -, votei em Alvaro Dias, independente das raivas que acumulou contra si há muitos anos atrás e que - infelizmente - ainda conduz aos votos de muita gente. Voto vencido idem.
Para deputado federal e estadual, apoiei e indiquei Hauly e José Maria Ferreira; eleitos. Senadores Osmar Dias e Flávio Arns - eleitos.
Pois bem - agora cabe a análise dos porquês das derrotas.
Serra, não conseguiria conter o clamor popular - que ao invés - e graças ao bom Deus por isso - de recorrer à estupidez das armas, armou-se de todas as misérias de todo um povo, para nas urnas - derrotar um sistema que vem gerenciando este País. Ele Serra - para mim o melhor - mas que carregou o ônus deste sistema, que deixou a desejar no aspecto social, o mais importante deles.
Alvaro, mercê de algumas alianças estranhas que se comentavam nos bastidores e nos jornais, se viu refém de alguns que só lhe poderiam dar problemas mesmo com a limpidez, capacidade e boa condução do Hauly. Fui um dos que se indignaram contra alguns poucos apoios indesejáveis.
Mas a meu ver, o fato mais importante que o alijou do Palácio Iguaçu, foi o de não ter em momento algum pedido o perdão das professoras e por extensão de suas famílias, ao ocorrido em Curitiba naquele episódio lamentável, que - mesmo ele não tendo culpa direta - participou como governador.
Na minha opinião, acima do discurso e da eloquência e do bom caráter do A Álvaro na defesa dos interesses do Paraná (e isso é real), caberia algo que ele ainda não fez: se dirigir aos professores de todo Estado e reconhecer, que no seu governo houve este erro, e que embora há muito tempo, pedir perdão à família paranaense.
Por que digo isso? Porque ele é o melhor de todos que ali concorreram, mas esta nódoa precisa ser extirpada, com o reconhecimento da falha, pois o perdão com certeza aconteceria... eu creio.
Agora a análise sobre a Presidência.
Querem saber sinceramente a minha opinião? Embora apoiando José Serra, não posso deixar de dizer - por absurdo que pareça - quando foi anunciado Lula como presidente, a minha indignação - que dormente estava - se levantou em euforia... o que me surpreendeu...
Sou um brasileiro, com as cores da nossa bandeira a pulsar dentro de mim... e acima de partidos ou amizades... quero ver alguém com receitas caseiras ter a oportunidade de exercer aquilo pelo qual tanto lutou: a liberdade e dignidade de seu povo resgatada, ou que o seu amputado dedo... possa assinar ou ajudar de alguma forma se tornar verdadeira a ''Lei Áurea'' para todos os .... brasileiros excluídos (a grande maioria).
Um adendo, a sociedade deve agora, assumir sábia e paciente postura, e consciente envolvimento. Lula acabou de chegar ao poder e seu nome agora é outro... não mais Luiz Inácio Lula (da Silva ou do PT), mas Luiz Inácio Lula do.... Brasil o meu desejo maior.
LUIZ EDGARD BUENO é escritor em Londrina

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