O povo fazendo acontecer
Não há melhor fórmula de um povo obter suas conquistas sociais do que ele próprio fazer as coisas acontecerem. Neste momento realiza-se mais um ''grito dos excluídos'', que já está em sua décima jornada, e o lema deste ano é ''Brasil, Mudança Para Valer, o Povo Faz Acontecer''. O objetivo do movimento que surgiu em 1994 com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil é mobilizar a sociedade e cobrar ações do Governo para as necessidades sociais. No dizer de alto dirigente da Igreja Católica, primeiro é escutar o que o povo grita e a partir daí apresentar propostas concretas de solução de suas reivindicações. Certo é que as grandes vitórias são obtidas pela união, pelo espírito de luta e pela persistência das classes sociais que se sentirem excluídas ou as não atendidas em seus anseios comuns, porque nada de fato se consegue sem mobilização. Importa que os movimentos sejam legítimos e tenham objetivos sérios e claros, livres de simples ódios entre classes e não aconteçam apenas para exaltação de certos líderes, interessados apenas em projetar-se individualmente e promover agitação social e perturbação da ordem. Dificilmente acontecerão mudanças se os cidadãos ficarem esperando pela ação do Governo, porque este só se move quando acossado pela movimentação popular, seja em forma de atos públicos, passeatas, ou da pressão direta das lideranças classistas sobre parlamentares e governantes. Grandes reformas de leis, e a criação de novas, só não ocorrem porque os cidadãos ainda não souberam usar de sua força, sobretudo sobre os parlamentares, e não fizeram as coisas acontecerem. Excluídos não são apenas os carentes sociais mas também as classes produtoras que não são atendidas em suas reivindicações legítimas; excluídos e mais que isso, duramente tangidos são os empresários que sofrem tão pesada carga tributária, mais o castigo dos juros assassinos impostos pelos bancos, financeiras e agiotas, e a legislação trabalhista unilateral e punidora; excluídos são os que recebem tão baixo salário pelo seu trabalho; excluída é a própria sociedade, vítima dos governantes corruptos, gastadores e inoperantes. Se os cidadãos não se mobilizam, os administradores públicos acomodam-se e sentem-se seguros e inatingíveis, e, muito pior, imaginando que estão fazendo as coisas certas só pelo fato de o povo não estar reclamando.





