O pouco que é muito para os motoristas
Verdade que as concessionárias das rodovias não têm culpa se o então governador Jaime Lerner assinou contratos com elas e permitiu-lhes cobrar pedágio, e com tarifas elevadíssimas, já começando pelo pico. Como consequência, hoje os valores estão em alturas descomunais. O que se questiona - além do absurdo que este modelo de pedágio representa - é a razão por que grandes obras não foram realizadas por elas, como a duplicação de estradas, e o que tais contratos dizem a respeito. Por que o Governo, que é a outra parte contratante, não está cobrando isso, e já se foram quase dez anos de pedágio. Uma coisa é certa: essas empresas conveniadas não querem perder um tostão sequer, e agora que o governador Roberto Requião criou a lei de isenção parcial, elas já ingressaram com ação judicial tentando anular a decisão.
Quantos veículos cruzam diariamente pelas cancelas do pedágio, e quanto é arrecadado, nunca se sabe com precisão. Mas quando ocorre uma receita a menos - que as concessionárias contabilizam como prejuízo - logo o número dessas baixas aparece. A regional paranaense da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias foi rápida em informar que no primeiro dia da isenção (para donos de veículos onde há postos de cobrança, e apenas nessa cancela), 6.460 veículos deixaram de pagar, da zero hora até as 5 da tarde. Se esse número é baixo mas causa tanto ''prejuízo'' às concessionárias, imagina-se o quanto rendem os 3 milhões e 800 mil veículos do Paraná! Óbvio que nem todos cruzam diariamente pelas praças do pedágio, mas pelo volume de carros registrados no Estado calcula-se que a proporção é elevadíssima. As próprias empresas conveniadas se traem, porque demonstram estar na penúria mas ao mostrar prejuízo por conta de tão pouca gratuidade, como esta de agora, exaltam os números ocultos da receita que a enorme freguesia potencial de quase 4 milhões de veículos lhes proporciona. Uma frota que, quando vai para a rodovia pedagiada, paga à vista e antecipadamente, e sem risco para as concessionárias de inadimplência e nem de chuvas e trovoadas. Certo é que para as concessionárias esse ganho a menos é tão pouco, mas muito para os motoristas beneficiados.
O mérito da ação das empresas será analisado pelo órgão especial do Tribunal de Justiça, e as atenções dos paranaenses estão voltadas para esse julgamento. Porque o pedágio atinge indistintamente mesmo os que não têm veículo, já que o custo do frete das mercadorias elevou-se, e quem paga é o consumidor. Pelos depoimentos colhidos por este jornal, os motoristas estão eufóricos, porque o dinheiro não pago no pedágio de seus municípios reverte para seu benefício e da família e favorece também as respectivas cidades, porque é um valor que fica na comunidade e fará seu giro. Com isso a economia dos 27 municípios beneficiados se robustece.





