Não há nenhum indício, até pela ausência de projetos, de que o desempenho do Governo Lula melhore em 2005, prevendo-se que siga no ritmo morno dos primeiros dois anos, sem perspectiva de grandes saltos de qualidade. Isto entusiasma os partidos não vinculados ao Governo a lançar candidatos à eleição presidencial de 2006 e a concorrer justamente com Lula, político que assumiu o poder cercado de um certo mito, dentro e fora do País, e gerou um clima de grande esperança nacional, mas a esta altura um tanto desvanecida. O rompimento da aliança do PMDB e o PT, que começou a plasmar-se no Paraná pela posição do governador peemedebista Roberto Requião, já o faz um potencial candidato à Presidência da República, meta que ele almeja alcançar e disto não faz segredo, mesmo tendo de enfrentar seu amigo pessoal e irmão de fé doutrinária Luiz Inácio Lula da Silva. Esta será a terceira vez que o Paraná desponta com potenciais candidatos fortes a ocupar o trono presidencial. Primeiro foi com Ney Braga (governador duas vezes, senador e duas vezes ministro), depois com José Eduardo de Andrade Vieira (senador e duas vezes ministro) e agora com Requião (também governador duas vezes e senador). Circunstâncias da vida política nacional desviaram da disputa os dois primeiros nomes, mas se nenhuma mudança de percurso ocorrer, de agora até 2006, Requião é candidato forte dentro do PMDB para a corrida presidencial. Um pleito legítimo, porque credenciais não faltam ao governador paranaense e porque a perspectiva desenha-se favorecedora, mesmo faltando um ano e meio para os movimentos de especulação partidária com vistas ao grande embate. Seria o Paraná mais uma vez se apresentando para eleger um filho da terra presidente da República. Com todos os seus destemperos verbais, que criam melindres, e as suas afrontas, que ferem fundo e semeiam adversários e alguns inimigos políticos viscerais, Roberto Requião tem uma história de vida correta, primeiro à testa da Prefeitura de Curitiba, depois governador, senador e novamente governador, não havendo em sua vida pública o envolvimento com histórias de corrupção. Se não há unanimidade partidária em torno de seu nome, porque todo grande partido fica heterogêneo e propício a dissidências como agora ocorre entre o PMDB congressual e o PMDB partido Requião é voz de expressão no círculo partidário e está maduro para pleitear a disputa ao cargo máximo da República. Em política, ao invés de perguntar-se, no caso, ''por que Requião?'', pode-se perguntar ''por que não Requião''?

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