O potencial da solidariedade humana
Nação soberana e especialista em guerras e destruição, os Estados Unidos certamente não imaginavam que viriam necessitar da solidariedade do mundo (no caso do socorro às vítimas do furacão) e que fosse tão pronto o atendimento. O Japão, que teve duas cidades e sua gente destruídas por bombas atômicas norte-americanas; a Alemanha e a Itália, outrora inimigas de guerra dos EUA; Cuba, de Fidel Castro, a cujo governante a poderosa nação do norte vem impondo sanções há muitos anos; a Venezuela de Hugo Chavez, que os americanos repudiam, são os primeiros povos a manifestar ajuda humanitária à gente flagelada de Nova Orleans. Se essa atitude não surpreende, causa certa perplexidade constatar que os Estados Unidos, que gastam bilhões com as guerras, tenham encontrado dificuldade para administrar uma situação de emergência em seu próprio território. Pelo menos quatro dias se passaram, depois da tragédia, para que o Governo tomasse uma medida decisiva de socorro, quando só bastaria acionar seu poderoso arsenal de helicópteros, utilizados para combate. A pequena nação cubana ofereceu 1.100 médicos e 24 toneladas de remédios para atender as vítimas, e o presidente venezuelano esquece dissidências e promete enviar petróleo e ajuda para aquela região. Mais de 60 países mobilizam-se em missões de auxílio, e isto demonstra que os povos do mundo são solidários nos momentos críticos, não importando nacionalidade e ideologia e agressões passadas. Isto reforça a esperança de que é possível a convivência pacífica entre as populações de diferentes línguas, credos e costumes, e que mesmo nações auto-suficientes como os Estados Unidos não podem sobreviver isoladas antes, mostra como são interdependentes, e não apenas em questões comerciais e de intercâmbio tecnológico mas também em momentos de necessidades tão individuais como as das milhares de pessoas que só precisam de água potável, remédios e uma mão amiga que as retire de lá. Gastos orçamentários elevadíssimos que os Estados Unidos destinam para a causa das guerras escasseiam em ocasião de emergência como agora. Essa corrente de solidariedade mundial deve estar servindo de lição e de alerta não apenas aos governantes e segmentos mais radicais da população americana, tão amante de intervenções em território alheio, mas a toda a humanidade. E demonstra que os males permanentes do mundo, como a fome, as doenças, os baixos padrões de vida, seriam eliminados se os recursos materiais e os esforços individuais fossem canalizados para essa causa. A humanidade guarda esse atributo, como agora demonstra, bastando utilizá-lo nas demais situações, como as citadas, e que são também emergenciais e inadiáveis.





