O populismo contaminou as escolas
Juristas e jornalistas políticos dizem que a pior das censuras é a autocensura. Nos últimos anos, o efeito danoso do populismo dos governantes virou paternalismo em vários setores da vida pública e contaminou parte da sociedade. Nas escolas, democracia virou democratismo. Alunos acham que podem fazer o que bem entendem, inclusive agredir verbal e até fisicamente seus professores - que perderam a autoridade. Os diretores também: temendo andar na contramão dos seus superiores - e para não cometer autoritarismo - transformaram o ambiente escolar em hora de recreio. Claro que não se pode generalizar.
A origem dessa distorção? Péssimos exemplos que vêm de cima, como se costuma dizer. Mas, nesta história, há os que aproveitam para acomodar-se na zona de conforto. O resultado é a desastrosa omissão e suas consequências. A mais visível é a queda de qualidade do ensino e o baixo rendimento dos serviços públicos.
Mas vale alertar: o pseudomodernismo ou o populismo dos dirigentes não justificam tantas distorções. Professores e diretores devem fazer prevalecer sua autoridade para o bom andamento do ensino. Só não fazem por comodismo ou porque desconhecem as regras. A entrevista com a professora Silvia Tacla, especialista em direito educacinal, pode dirimir muitas dúvidas.
Sobre o episódio da pulseira do sexo. Mesmo sem consultar os pais ou esperar uma ordem judicial, a escola pode, com certeza, impor uma proibição, porque é seu dever zelar pelos alunos, garante a professora Silvia Tacla.
O professor tem o dever de estabelecer a ordem na sala de aula. Ele deve usar o bom-senso. Se algum aluno estiver atrapalhando uma explicação o professor deve estabelecer a disciplina. No Estatuto da Criança e do Adolescente há, além dos direitos, os deveres dos menores e, baseados neles, a escola pode impor suas normas. Caso o aluno não obedeça, o professor pode recorrer à orientação educacional e à direção, que em circunstâncias mais graves vai convocar os responsáveis.
Repetindo a lição: a decisão de proibir o que a escola julga errado visa o bem-estar do aluno e da comunidade escolar e não o contrário. Mesmo sem consultar os pais ou esperar uma ordem judicial, a escola pode impor uma proibição, porque é seu dever zelar pelos alunos.





