Lula disse não querer o terceiro mandato. Mas com a doença da ministra Dilma, será que o presidente não muda de ideia na última hora?
Em política, as coisas estão sempre abertas, ou seja, a possibilidade existe. Mas eu acho que não há condições para nenhuma das duas alternativas: extensão do mandato até 2012 ou terceiro mandato. Só se realmente alguma coisa muito extraordinária acontecesse que empolgasse não só o governo como a oposição. Contudo, o Lula ser candidato só empolgaria o governo, não a oposição. Muito pelo contrário. A oposição prefere disputar com outros nomes.
No entanto, o que devia se discutir neste momento é como o processo político está produzindo ou não novos nomes, novas forças e a possibilidade de uma política mais partidária. O problema é acontecer no Brasil o que está ocorrendo em outros países da América Latina em que se há uma única alternativa, não há outros nomes.
É claro que um Lula não aparece toda hora, mas o Fernando Henrique Cardoso não era um grande líder carismático, não tinha dentro do PSDB a mesma importância que o Lula tinha dentro do PT e foi eleito. Será que não há outros nomes? Mas como o governo Lula está sendo bem avaliado, isso é um capital político que alguns vislumbram como a possibilidade de prolongar a situação, mesmo não sendo uma boa experiência para a democracia no Brasil.
Se tiver um referendo, parece claro que a opção pelo terceiro mandato ganharia. O senhor concorda?
Sim, mas se não houver uma movimentação grande, corre-se o risco deste referendo não empolgar a população. No último referendo que fizemos, o do desarmamento, a maioria da população foi tomada de supresa. É claro que teria que se fazer um referendo bem feito para que não corra o risco de ser esvaziado.
Quais os pontos mais urgentes da reforma política na sua opinião?
Rever o sistema partidário, que envolve o sistema eleitoral e o sistema de governo. Seria ponto fundamental a ser alterado. O frustrande é que as forças democráticas que estão no poder até hoje não se pronunciaram sobre isso. O FHC só pensou na reeleição para si próprio. O Lula está chegando ao fim de seu segundo mandato e não mexeu nisso. Não podemos ser ingênuos. O político, de uma forma ou de outra, vai tentar manter as regras que possam lhe favorecer. Não é de se estranhar isso. O que falta é uma mobilização da sociedade para pressionar e fazer que esse aperfeiçoamento das instituições seja feito. Da parte dos políticos, a tendência é de acomodação da regra desse jogo que eles estão jogando. (W.S.)

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