O político e a empregabilidade
O político e a
empregabilidade
Luiz Antonio Pedro
Empresa conceituada, de âmbito local e atuando há vários anos no mercado de administração pública, procura para compor seu quadro de pessoal o seguinte profissional: político. Exige-se do candidato: caráter, honestidade, curso superior, MBA em Administração Pública, conhecimentos em informática, criatividade, espírito de equipe, motivação, empreendedorismo, fidelidade, representatividade, envolvimento, participação e comprometimento com a comunidade local. A empresa oferece: bom ambiente de trabalho, remuneração compatível com a função, possibilidades de crescimento em níveis estadual e federal e benefícios inerentes ao cargo. Interessados devem enviar currículo que será analisado por uma banca composta de cidadãos locais, cujos resultados serão divulgados a partir do dia 15 de novembro de 2000.
A globalização, onde se acentua a tecnologia de informação e a gestão do conhecimento, faz com que as empresas busquem os melhores profissionais no mercado de trabalho, aumentando dessa forma as exigências necessárias para os candidatos a uma de suas vagas, fazendo com que todos estejam preparados para a empregabilidade e as armadilhas do mundo cada vez mais competitivo.
Da mesma forma, quando o assunto é eleição para o provimento de vagas para aqueles que vão administrar a coisa pública, o assunto deveria ser tratado na mesma intensidade e exigências do mercado de trabalho, com uma peculiaridade que é por tempo determinado e sob a forma de representatividade, e em sua gestão tratará de assuntos econômicos, financeiros, políticos, administrativos, fiscais, tributários, saúde, segurança e educação, como um verdadeiro operário polivalente que conhece todas as etapas de um sistema de produção.
Porém o que assistimos, ao se iniciar a corrida rumo às urnas no dia 15 de novembro de 2000, a última do século XX (salvo os municípios que porventura terão o segundo turno) é o verdadeiro despreparo daqueles que se candidataram a uma vaga. Das exigências acima, que acredito serem as que se espera de uma verdadeiro representante do povo, poucas são preenchidas por nossos candidatos.
É comum vermos candidatos que mal conseguem apor sua assinatura na ficha de inscrição, não por falta de visão e sim por falta de conhecimento; candidatos cuja conduta moral do passado não condiz nada com o que se espera de um legítimo representante dos anseios do povo; candidatos fadados ao fracasso na iniciativa privada e que vislumbram na vida pública a única forma de recompor seu capital e patrimônio. E poderíamos aqui descrever todas as mazelas e inconsistências encontradas no gigantesco número de concorrentes a uma das vagas nas próximas eleições.
Não que eles não tenham o direito de concorrer. Aliás, o sistema político adotado por nosso País é o democrático, onde todos tem o mesmo direito. Porém, é bom lembrar que a administração pública é real e se não for bem conduzida, como se conduz uma empresa, com a diferença da geração de lucro e riqueza, continuaremos a assistir às moratórias, falta de pagamento de salários do funcionalismo, falta de segurança, saúde e educação condizentes com o que se espera de retorno ao se pagar os impostos e taxas.
Que ao lermos os currículos encaminhados até o dia 15 de novembro possamos encontrar candidatos que preencham os requisitos mínimos do anúncio acima e assim darmos no campo político o grande passo rumo ao terceiro milênio, que é a reconstrução da ética, da moral e da cidadania.
- LUIZ ANTONIO PEDRO é bancário, filósofo e historiador em Maringá
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