O comando do tráfico de drogas a partir dos presídios não deveria surpreender ninguém, porque o que acontece lá dentro é o que acontece aqui fora. Rebeliões e execuções sumárias entre comandos antagônicos, como acaba de acontecer no presídio Bangu I, no Rio de Janeiro, são apenas uma continuidade, com o cárcere convertido em central de operações quando líderes do crime organizado são presos. Sobra a estes tempo para planejar, e sabem os comandados, de dentro e de fora, que pagam com a vida pela desobediência; e que os presos de hoje podem estar livres amanhã, pelo favorecimento que campeia no próprio sistema carcerário. A malha do poder paralelo com sede nos presídios é vasta, poderosa e eficiente, ou essas corporações não ganhariam a denominação de crime organizado.
Onde há um agrupamento social, em qualquer campo de atividade, há conflitos, e dentro das prisões os comandos também disputam poder e se auto-eliminam, como agora se viu naquele presídio dito de segurança máxima. Não fazem assim também os políticos, na busca pelo voto? Não há diferença no comportamento dos comandos que atuam por trás das grades e no dos postulantes a cargos eletivos, na luta pelo domínio do poder, porque os políticos também se digladiam, sem o mínimo senso de decoro, e entre eles existem igualmente os delinquentes, que só se diferenciam daqueles por gozar das regalias da liberdade.
O ponto crucial é desarticular o sistema que favorece a fuga de presos e a entrada de armas e telefones celulares dentro das prisões, com o que os comandos administram a criminalidade externa e fazem execuções também em seu próprio organismo, quando é preciso ''queimar arquivos'' ou punir por alguma razão. Porque, como disse o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, não há presídio seguro se existe corrupção entre os que são responsáveis pela sua guarda. O crime organizado conta, sobretudo, com esses valorosos agentes.
Reformular o sistema carcerário, de forma a recuperar o criminoso e devolvê-lo à sociedade, este é um caminho, mas será necessário que também o meio social se reformule, para não produzir os delinquentes que irão encher as cadeias. Um processo longo e exaustivo, que irá exigir mais que presídios de segurança máxima uma tomada de consciência da sociedade, para encurtar caminhos e evitar que cidadãos, com direito a todas as oportunidades, se convertam em novos marginais.

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