“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente.” O princípio consagrado no artigo 1º da Constituição Federal não é apenas uma afirmação jurídica, mas a base concreta da democracia brasileira. Pelo artigo 14 da Constituição, a soberania popular se manifesta pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos os eleitores devidamente alistados. É do voto que nasce o poder, e é por meio dele que se constrói — ou se fragiliza — o desenvolvimento local e regional.

Quando analisamos o impacto do voto no desenvolvimento das cidades e regiões, torna-se evidente a importância de valorizar candidatos que conhecem a realidade local. O voto regionalizado fortalece a capacidade de representação política, amplia a voz das comunidades e cria condições mais favoráveis para a atração de investimentos, obras estruturantes e políticas públicas alinhadas às vocações econômicas e sociais da região.

Nas eleições de 2022, a cidade de Londrina apresentou um dado que merece muita atenção: apenas o eleitorado local distribuiu seus votos entre mais de 700 candidatos a deputados federais e mais de 500 candidatos a deputados estaduais. Trata-se de uma fragmentação expressiva do voto local. Embora legítima do ponto de vista democrático no modelo eleitoral atual, o voto distrital ainda é um projeto em discussão, porém essa dispersão reduz o poder de concentração política da região, enfraquecendo sua capacidade de influenciar agendas estratégicas no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa.

Esse cenário contrasta com o enorme potencial eleitoral da região de Londrina. O município é o segundo maior colégio eleitoral do Paraná. Quando consideradas as regiões da Amepar (Associação dos Municípios da Região do Médio Paranapanema), Amuvi (Associação dos Municípios do Vale do Ivaí), e Amunop (Associação dos Municípios do Norte do Paraná), reunindo aproximadamente um milhão de votos — um verdadeiro gigante eleitoral. Onde há votos concentrados, há poder político, capacidade de negociação e força para impulsionar o desenvolvimento regional.

A valorização de candidaturas locais e regionais não significa restringir escolhas, mas agir estrategicamente. Representantes comprometidos com a região conhecem suas demandas, defendem seus interesses com mais legitimidade e tendem a atuar de forma mais eficiente na destinação de recursos e na formulação de políticas públicas. O debate no congresso nacional sobre o voto distrital, quando a escolha é obrigatoriamente na região, no modelo puro ou misto, juridicamente possível no Brasil, reforça essa lógica ao aproximar eleitor e eleito e estimular a responsabilidade territorial do mandato.

Votar não é um ato isolado no dia da eleição. É necessário acompanhar, fiscalizar e cobrar resultados. O mandato pertence à sociedade, e o representante deve exercê-lo com responsabilidade, transparência e compromisso com a base eleitoral que o elegeu.

Tudo na política começa e termina no voto. Um voto pode parecer apenas um número, mas quando conectado à região e orientado de forma consciente, transforma-se em instrumento real de fortalecimento regional e desenvolvimento estratégico. Na próxima eleição, não vá apenas votar: faça do seu voto um investimento no futuro da sua cidade e da sua região.

Votar é legal.

Nilso Paulo da Silva, advogado, mestre em direito, professor e analista político.

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