O processo eleitoral de quatro semanas atrás repete-se hoje, agora para escolha definitiva do presidente da República e dos governadores estaduais onde a eleição não foi definida no primeiro turno. Caso inclusive do Paraná. Como, no período, houve falecimentos de eleitores e novos não foram acrescentados, o número de 125.913.479 eleitores nacionais de 1º de outubro é agora um pouco menor, o mesmo acontecendo com relação aos então 7.121.257 do Paraná. A esperada conscientização dos eleitores, no primeiro turno – quando foram eleitos senadores e deputados federais e estaduais, e alguns governadores – não aconteceu na plenitude, porque candidatos envolvidos em denúncias de escândalos de corrupção - abundantes no governo Lula - foram reeleitos. Acontecimentos especiais foram a introdução de um Presidente deposto – Fernando Collor de Melo – a uma cadeira do Senado, e de Paulo Maluf à Câmara Federal. E no caso estadual, a eleição do prefeito cassado de Londrina, Antonio Belinati, para a Assembléia Legislativa, embora todos os casos semelhantes tenham sido motivo de desencanto para a maioria dos eleitores. A própria chegada de Lula ao segundo turno demonstrou que a política do assistencialismo – a esta altura já uma urgência de socorro – e também o populismo, operam milagres, e que nem a baixa operância de um governo e de um partido que semearam e frustaram esperanças, assim como o mar de lama da corrupção que marcou a administração petista, foram suficientes para despertar e conscientizar as camadas mais carentes e menos politizadas do eleitorado. Necessidades prementes, que são resultados da longa história de maus governos – mesmo com a ocorrência de alguns acertados procedimentos – falam mais alto nos nomentos de decisão eleitoral. Os governantes são egressos do meio social e refletem a qualidade desse universo. Nessa dinâmica ambos se recriam. Ou seja, um contingente eleitoral com baixo teor de informação e politização contenta-se com certos atendimentos individuais básicos, ainda que insuficientes, e assim elege e reelege quem o beneficia com minguadas ajudas; e os candidatos favorecidos por esse sistema mantêm o padrão dessa política, porque lhes convém, e assim a nefasta roda viva continua. O mesmo se dá em sentido inverso, quando um reduto eleitoral mais consciente tende a produzir candidatos eqüivalentes. Este não é um evento apenas da presente eleição. Não tem prevalência só a questão do assistencialismo na captação de votos, mas também a popularidade dissimuladora de certos candidatos, escondendo despreparos para o exercício da função pública. A reversão desse processo ocorrerá pelo melhoramento do nível educacional do povo e pela conseqüente bagagem de conhecimento e conscientização que irá sendo alcançada no âmbito da massa votante, o que resultará na melhor qualidade também dos partidos e dos candidatos que dali emergirão.

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