O poder das mulheres - Nardir Antonio Sperandio
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de junho de 1998
Nardir Antonio Sperandio 
Mais de 13 milhões de mulheres jogam basquete hoje nos EUA, respondendo por mais da metade das vendas de US$ 3 bilhões dos produtos da liga NBA. (Tom Peters, 1998). Peters, um dos consultores mais conhecidos e renomados do mundo e autor de best sellers como Vencendo a Crise, Tempos Loucos Exigem Organizações Malucas, Prosperando no Caos, Em busca do Uau, diz que o sexo frágil representa o mercado mais forte da atualidade.
Peters influenciou todas as empresas a redescobrir seus clientes e agora anuncia outra descoberta: as mulheres. Elas representam excelente oportunidade comercial para qualquer empresa. Em 1970, apenas 400 mil empresas pertenciam a mulheres nos EUA; hoje são 8 milhões. Além disso, 22% das mulheres casadas que trabalham fora ganham mais do que o marido.
No Brasil verifica-se a mesma tendência. Elas estão tendo rendimentos crescentes, ocupam mais e mais cargos executivos, possuem nível educacional superior ao dos homens e tomam a maioria das decisões de compras. As pesquisas estão demonstrando de forma evidente que as mulheres influenciam nos negócios e na performance da empresa.
Diante disso, Peters aconselha que as empresas dirijam suas estratégias para esse segmento. As mulheres compram por razões diferenciadas e desejam sempre criar uma relação comercial mais duradoura, enquanto os homens pensam mais em acabar o que começaram. Apesar deste cenário evidente de oportunidades de negócios, as mulheres ainda são invisíveis para a maioria das empresas, constatou Peters.
Com detalhes pode-se conquistar este segmento. Diz Peters: a cadeia de hotéis Westin nos EUA está colhendo ganhos significativos, nestes detalhes - como ferros de passar nos quartos, espelhos de corpo inteiro, oferecer vinho, entregar a conta também para as mulheres e não sempre para o homem, porque pode ser que ele trabalhe para ela!
Quantas mulheres são ignoradas quando entram em lojas de automóveis, mesmo sabendo-se que em última instância é a mulher quem decide a compra. Pesquisas nos EUA e no Brasil mostram que, no total, as mulheres decidem ou influenciam de forma significativa cerca de 80% de todas as vendas de automóveis. Então, por que não ter um quadro forte de mulheres nas vendas? Assim é também na compra de moradia, construção, assistência médica, viagem.
O poder feminino é evidente. O dinheiro está onde estão as mulheres. As empresas pertencentes a mulheres nos EUA empregam cerca de 15 milhões de pessoas, 40% mais do que as velhas companhias da lista Fortune 500. Elas representam um patrimônio líquido de mais de US$ 500 milhões. Peters faz um perfil do segmento mulheres interessante: são mais inteligentes do que os homens e por motivos diferentes.
E comprova: As mulheres estão obtendo mais diplomas e cargos do que os homens (dados dos EUA), 59% dos cargos de professor assistente nas universidades, 55% dos bacharelados, 53% dos mestrados e 40% dos doutorados, 55% dos bacharelados em Contabilidade (antes quase só domínio dos homens). Hoje, as mulheres parecem estar mais confiantes e destacam as diferenças.
Faith Popcorn (1997) autora do livro Clicking diz: Os homens e as mulheres não pensam da mesmo forma, não se comunicam da mesma forma e compram por motivos diferentes. É interessante se aprofundar nesta direção, lendo: Os Homens são de Marte, as Mulheres são de Vênus, de John Gray.
- NARDIR ANTONIO SPERANDIO é consultor de empresas, professor de pós-graduação e diretor do IPAE/Faccar e do IPEAC/Unipar


