Se não deve receber apoio o clamor dos mototaxistas de Londrina pedindo a morte do adolescente que assassinou um colega desses profissionais, a manifestação que eles fizeram contra o episódio demonstra, pelo menos, que há união da classe em defesa de uma causa comum. Pela facilidade de locomoção, centenas de mototaxistas, com suas motos e vestindo coletes alaranjados, se organizaram e protestaram publicamente durante mais de duas horas, inclusive diante do Fórum e da 10 Subdivisão Policial.
Já foi um costume, em Londrina, os taxistas se mobilizarem com seus automóveis quando um colega era assassinado, e a situação chegou a tal ponto que se temia a execução de linchamentos - quando o assassino era capturado - e a Polícia teve algumas vezes que remover o preso para lugar desconhecido e assim evitar um justiciamento. Se a intenção extrema não se justificava, certo é que os taxistas se mexiam. Sem apelos à repetição da violência - e no presente caso, se o assassino estivesse ao alcance, seria linchado, em face da fúria manifestada - a manifestação pública deve ocorrer em todos os casos que a exijam, porque esta é uma forma de sensibilizar as autoridades e a opinião pública.
Se a contenção da criminalidade não depende apenas dos governantes, pesa-lhes grande responsabilidade sobre as razões sociais e as negligências que levam à situação das misérias humanas e à desatenção para a causa. Por isso todas as manifestações populares produzem alguma forma de resultado, mesmo que tardio. Muitas conquistas sociais, ao longo da história da humanidade, foram alcançadas por revoluções populares, não se entendendo aí, necessariamente, o uso da força - embora tal tenha ocorrido no mais das vezes - mas sim a arregimentação e o grito decidido de protesto.
A reação dos mototaxistas é um pequeno exemplo mas mostra a vontade e o poder da mobilização, que tanto maior será quanto mais numerosa a participação popular. Nada tem mais força que a decisão de um povo cheio de razão, e se os cidadãos tivessem consciência do poder que têm, não sobraria pedra sobre pedra nas estruturas do arbítrio, do desmando, da negligência dos Poderes, da desonestidade nas administrações públicas e das tiranias no próprio âmbito da sociedade. Ainda ontem, pelo noticiário deste Jornal, o cientista político Augusto de Franco pregava em Londrina a mobilização da classe empresarial contra a alta carga tributária e os elevados encargos trabalhistas. Ele visa incrementar a participação popular nas questões de interesse público. Em outras palavras, a ação. Esta a larga estrada que pode levar a resultados positivos, já que os políticos não o fazem.

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