O poder da empatia na reconstrução das relações humanas
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terça-feira, 14 de maio de 2019
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O tema relações humanas na contemporaneidade tem gerado inúmeras discussões, como resultado das importantes mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas. Dentre elas, destacamos o regime de acumulação de capital flexível, e a globalização em suas dimensões socioeconômicas, culturais e tecnológicas. Essas mudanças seguem atreladas à fluidez, à novidade e ao efêmero, e passam a ser valorizadas e a fazer parte das práticas que se constituem na contemporaneidade.
A acumulação flexível caracteriza-se pelo surgimento de setores de produção totalmente novos, novas maneiras de fornecer serviços financeiros, novos mercados, taxas intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional, dentre outras.
Como consequência, ocorrem mudanças avassaladoras e profundas nos valores, comportamentos e identidades. É desta forma que essas modificações ao longo do tempo possibilitaram o desencadeamento, na contemporaneidade, de novos tipos de relacionamentos muito mais efêmeros, frágeis e superficiais.
Diante do exposto, podemos nos perguntar: no que se fundamentam e como ocorrem as relações interpessoais na contemporaneidade?
Novas formas de comunicação, aliadas às novas tecnologias, possibilitam a interação e sociabilidade à distância, o que se por um lado nos permitiu ultrapassar as barreiras geográficas que se interpunham entre nós, por outro lado, possibilitou relações de laços frágeis.
Bauman (2004), em seu livro ”Sociedade líquida” assevera que, ao contrário dos antigos relacionamentos, as “relações virtuais” parecem ter sido feitas exatamente para o cenário da vida contemporânea, em que os “relacionamentos virtuais” são fáceis de entrar e de sair, de simples execução e entendimento, diferente do “relacionamento real” que parece ser embaraçado, brando e árduo. Portanto, numa sociedade em que tudo pode ser facilmente descartado, os relacionamentos também o são.
Com o ser humano em constante processo de mudança, os conhecimentos e os relacionamentos se tornam superficiais, pois não há tempo para se aprofundar, uma vez que se perderia tempo em adquirir novos conhecimentos, mesmo sendo superficiais, e novos relacionamentos, também superficiais.
As pessoas se inserem em relações menos densas, mais fúteis, construídas em bases frágeis, em que o desfecho são vínculos não duradouros, fluidos, uma vez que essa instabilidade das ligações valoriza justamente a capacidade de fugir dos sentimentos mais profundos, ou até mesmo, não estabelecer sentimentos íntimos. Para Casadore e Hashimoto (2012), é uma nova forma de poder e dominação que andam em paralelo com a enfermidade das relações. Baldanza (2006) corrobora com este entendimento, ao afirmar que as incertezas, provenientes dessa nova forma de se relacionar, geram desconforto e aumentam a sensação de angústia do ser humano.
Sem demora, as pessoas precisam dispor de tempo uns para os outros, sem a simultaneidade e o multitarefismo que nos é exigido nesta era moderna.
A psicologia nos ajuda a entender que há vários fatores como a personalidade, o contexto no qual se está inserido, a história de vida de cada um, dentre outros, que nos tornam singulares, o que faz com que algumas vivências subjetivas possam ser mais harmoniosas, outras mais inquietantes, proporcionando ajustamentos que levam o sujeito ao bem-estar ou a doenças.
"A empatia consiste na capacidade de nos colocarmos no lugar do outro"
Hoje mais do que nunca, saber se relacionar com as pessoas tem se tornado um problema que afeta todos os âmbitos da sociedade, uma vez que o relacionamento tem sido uma dificuldade enfrentada por diversas pessoas. Com base nisso faz-se necessário refletir acerca dos componentes da relação social. Toda relação entre pessoas é composta por sentimentos, atitudes, e necessidades que são peculiares de cada um, influenciando assim seu comportamento dentro de um determinado grupo afim, e são esses fatores que mantêm ou encerram uma relação. Saber lidar com as diferenças é extremamente importante para se manter relações saudáveis. Uma das formas de se manter relações sociais harmônicas é a empatia. A empatia consiste na capacidade de nos colocarmos no lugar do outro. Para o psicólogo Carl Rogers: “ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele.”
Quando somos empáticos, estamos pensando com a pessoa, e não por ela ou sobre ela. Já tentou? Nem sempre é fácil, mas ficam aqui algumas dicas que podem nos auxiliar a sermos mais empáticos: Transmita que deseja compreender, que tem vontade de falar e saber mais, ouça; discuta o que realmente é importante, o que preocupa ou alegra a outra pessoa; fale sobre os sentimentos do outro, confirme que percebe o que ele está sentindo (mesmo que não perceba o porquê, que não encontre o motivo, consegue perceber que a pessoa não se sente bem).
Quando a outra pessoa se sente não só ouvida, mas principalmente compreendida, é mais provável que confie mais em si e se sinta mais à vontade na relação para conversar e partilhar. Se tentamos compreender os outros, quem sabe não conseguimos compreender melhor a nós mesmos?
CLEUMARY SOLETTI, coordenadora do curso de Psicologia da PUC/PR - Campus Maringá


