O poder bélico do crime
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de fevereiro de 2021
Folha de Londrina 
Para uns, mais armas é igual mais segurança. Para outros, mais armas significa mais violência e mortes. A lógica que levou o presidente da República, Jair Bolsonaro, a assinar quatro decretos, na noite de 12 de fevereiro, facilitando a compra e porte de armas está sendo questionada por vários segmentos da sociedade e aguarda-se uma enxurrada de tentativas para anulação dos decretos.
A medida colocou novamente no centro da discussão a flexibilização do acesso às armas de fogo. A pergunta que não quer calar: facilitar o acesso às armas resolverá os problemas de segurança no Brasil?
Uma coisa é fato: Bolsonaro cumpriu promessa de campanha eleitoral. Desde deputado federal, o presidente prega que a população tenha direito de escolher andar armada para se defender contra o crime e a violência.
Entre as novas regras está o direito à posse de até seis armas de fogo em casa ou no trabalho. Agora, os brasileiros também têm acesso a calibres que antes eram restritos aos militares ou à polícia e podem comprar muito mais munição. Ficou mais fácil também a importação de armamento, com queda de imposto para comprar do estrangeiro.
No Paraná, os efeitos de uma política mais liberal para posse de armas já podem ser percebidos. Segundo as estatísticas da Polícia Federal, o total de registros de armas de fogo novas no Paraná subiu 92% de 2019 para 2020. Os dados acompanham o índice nacional, que eleva em 91% o volume de arsenal novo da população.
De um lado, quem defende o desarmamento diz que mais armas elevam o número de assassinatos e suicídios. Por outro lado, quem apoia o governo federal na política armamentista fala sobre o direito individual de se proteger.
No entanto, hoje a FOLHA reflete também sobre um outro aspecto dos novos decretos assinados pelo presidente: a disparidade entre o poder de fogo das armas que a população poderá guardar em casa e aquelas usadas pelas forças policiais no Brasil.
Lembrando que muitas dessas armas adquiridas legalmente vão parar nas mãos do crime, é preciso considerar que a desvantagem recai para os homens da lei.
A FOLHA agradece a preferência!


