O Plano Colômbia
A Colômbia é conhecida como o grande centro produtor de drogas mundial. A enorme produção de cocaína neste território é o maior exemplo desta afirmação. O grande centro de plantio de coca colombiana está localizado na região de Putumayo, sudoeste, perto da divisa com o Equador, onde existem 60 mil hectares plantados. Os outros grandes centros de plantio (estima-se que mais 60 mil hectares) e refino estão também localizados no sul, mais perto da divisa com o Peru. Mais da metade do território colombiano está nas mãos das guerrilhas marxistas e de grupos paramilitares que há 36 anos lutam visando aumentar sua influência. A população, cerca de 39 milhões de habitantes, vive em constante tensão, acuados por um poder paralelo. Os conflitos entre os grupos ilegais já deixaram mais de 35 mil vítimas.
Esse é o retrato do maior país exportador de drogas do mundo. No intuito de resolver esses problemas, o presidente colombiano Andrés Pastrana, lançou um audacioso projeto denominado Plano Colômbia, orçado em US$ 7,5 bilhões. Esta ação pretende atuar em várias frentes, desde o plano social até o econômico, passando, necessariamente, pela forte repressão no foco de produção e plantio da droga. Os objetivos principais são a destruição de plantações e a desestruturação dos grupos guerrilheiros.
Contudo, alguns vêem esse grande projeto do governo colombiano com certo receio, pois está sendo financiado pelos Estados Unidos. O interesse americano é latente, já que 90% da droga consumida em seu território são provenientes das plantações colombianas.
De um modo geral, o plano tem objetivos e meios excelentes. Mas, alguns pontos devem ser analisados com mais cuidado. Entre eles, a possibilidade do uso de fungos que destruiriam as plantações de coca. As suas consequências podem ser as mais imprevisíveis, visto que existe a possibilidade de ocorrer um desequilíbrio ecológico na região. Até o momento, não há notícias acerca das consequências que o uso deste fungo, ao lado da Floresta Amazônica, possa vir a trazer à diversidade biológica daquele bioma.
Além do problema ecológico, foi levantado pelo ministro de Relações Exteriores brasileiro, Luiz Felipe Lampréia, que o agravamento do conflito pode trazer ameaça ao território brasileiro. Especula-se que esta potencial ameaça possa ser traduzida por supostas fugas de guerrilheiros acuados pela repressão, transferência do aparato de refino da droga e consequentemente seu plantio para o Brasil. A guarda da fronteira Brasil-Colômbia (cerca de 1.644 quilômetros) está intimamente ligada à atitude que o Brasil tomará diante do quadro que se desenha. Ora, se nosso País pretende assumir a condição de líder sul-americano, não existe melhor oportunidade de começar. O apoio brasileiro aos governos colombiano e norte-americano no que tange ao Plano Colômbia serviria de um primeiro passo. Nosso País, se deseja ser líder sul-americano, não pode mais se calar diante dos problemas mundiais, principalmente quando se trata de uma nação vizinha.
- MÁRCIO C. COIMBRA é advogado em Porto Alegre (RS)





