Depois de dois anos e meio de crise, a divulgação dos últimos indicadores econômicos dá a sensação de que o Brasil está saindo da crise. Inflação e juros em queda, emprego em alta e o PIB (Produto Interno Bruto) dando sinais de que vai subir. A reportagem da FOLHA ouviu economistas para questionar se é possível considerar que o pior já passou. A maioria concorda que o fundo do poço ficou para trás. Mas advertem que, para o crescimento ser considerado sustentável, ainda faltam melhorias e mudanças. Um dos especialistas ouvidos pela reportagem publicada na edição desta segunda-feira (2), o professor da Universidade de São Paulo Simão Silber, lembra que o estrago provocado pela crise dos últimos dois anos foi "brutal". Na opinião dele, a nação terá agora que correr atrás do tempo perdido. Segundo o último Boletim Focus do Banco Central, a estimativa é que o PIB deste ano apresente um aumento de 0,68%. Houve um pequeno crescimento, mas ainda está 6% menor que em 2014. Sandro Silva, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, também foi ouvido pela reportagem e disse que vê melhoras em vários indicadores. Mas observa que os pontos positivos não estão disseminados em todos os setores. Enquanto o agronegócio foi muito bem, a indústria e o setor de serviços tiveram altas em determinados segmentos. A Selic baixou. Mas os juros continuam altos, com taxas acima das praticadas em 2014. E o professor da Universidade Tecnológica do Paraná e colunista da FOLHA, Marcos Rambalducci, alerta que de nada adiantam os bons indicadores econômicos se o governo não conseguir resolver sua crise fiscal. O endividamento do governo é muito grande e atingiu R$ 3,4 trilhões. Este ano, o deficit está projetado para R$ 159 bilhões. A solução não virá com a rapidez esperada e será amarga, pois é preciso reduzir os gastos públicos. Mas se o governo não conseguir administrar o seu endividamento, todo o esforço de recuperação será em vão.

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