O PIB e a desindustrialização
Pela primeira vez neste ano, o Banco Central do Brasil está prevendo que o Produto Interno Bruto (PIB) fique abaixo dos 3%. A estimativa é baseada em consultas a instituições financeiras. O anúncio oficial do governo federal só deve sair na próxima sexta-feira. No início do ano, a previsão era mais otimista e falava-se em um PIB de 4,5% para 2012. No ano passado, ele fechou em 2,7%. O PIB é a soma de toda a riqueza produzida no País.
O otimismo do mercado financeiro vem caindo principalmente por acompanhar os indicadores industriais em queda. A temida desindustrialização é uma das situações que está puxando para baixo a previsão do crescimento da economia.
Nos últimos anos, o pior registro do PIB nacional foi verificado em 2009, como reflexo da crise financeira internacional, quando o índice ficou em -0,3%. Mas em 2010 a economia recuperou fôlego e o PIB brasileiro cresceu 7,5% para voltar a cair em 2011. O PIB paranaense acompanhou a tendência. Em 2009 ficou em -1,3%, subiu para 8,3% em 2010 e caiu para 4,0% em 2011.
Mesmo que essa previsão mais pessimista do mercado financeiro não se consolide, é necessário que a sociedade e o governo federal estudem medidas urgentes de incentivo à indústria. As prioridades são várias: combater a perda da competitividade da produção nacional e a forte concorrência dos importados; buscar eficiência e inovação; promover a redução de juros e diminuir a carga tributária.
A desindustrialização tem como consequência a queda na produção, o fechamento de empresas e o desemprego. No dia 4 de abril, empresários e centrais sindicais se uniram no ''Grito de Alerta Contra a Desindustrialização e Pelo Emprego'', manifestação realizada um dia depois ao anúncio de um pacote do governo federal para estimular a produção da indústria brasileira. Entre as medidas está a redução de gastos com folha de pagamento de empresas de 15 setores mais afetados pela crise econômica global. Quase dois meses depois do lançamento desse pacote, está na hora de avaliar se as medidas estão sendo úteis e suficientes para ajudar a indústria brasileira.





