''O Pianista'' é Palma de Ouro em Cannes
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domingo, 26 de maio de 2002
Carlos Eduardo Lourenço Jorge Especial para a Folha 2 
Cannes - O burocrático filme polonês O Pianista, de Roman Polanski, ganhou ontem a Palma de Ouro no 55º Festival Internacional de Cannes. O Grande Prêmio foi para a Finlândia, com o generoso O Homem Sem Passado, de Ari Kaurismaki visivelmente contrariado ao receber seu diploma, cochichou qualquer coisa no ouvido do presidente do júri , e o Prêmio Especial do Júri ficou com Intervenção Divina, do palestino Elia Suleiman, também com cara de quem queria mais.
O contundente documentário americano Bowling for Columbine, de Michael Moore, recebeu por unanimidade o Prêmio do 55º Aniversário. Moore sim, estava contente, com seu jeito e fala de matuto que sabe que seu filme sobre a cultura da violência na América ainda vai dar muito o que falar.
Nos últimos dias do festival, a dúvida mais constante entre os jornalistas era em que direção o júri presidido por David Lynch apontaria, diante de tamanha diversidade oferecida pela mostra competitiva e da própria persona de Linch, cineasta de renomada bizarria.
O Pianista, ainda que não comprometa e seja um drama acadêmico correto e bem realizado em todos os setores, é filme obviamente inferior a pelo menos uma dúzia de títulos que desfilaram mais qualidades durante a competição entre eles os outros principais premiados. Entre a simplicidade de Uma História Simples e o labirinto de seus outros filmes, Lynch optou pelo bom comportamento do primeiro.
Não se pode negar, entretanto, que apesar de errar no varejo, os jurados acertaram no atacado. Além dos outros citados, subiram ontem à noite ao palco do Grand Theatre LumiSre os personagens certos. Paul Thomas Anderson e IM Kwon-Taek dividiram o prêmio de melhor direção, respectivamente por Punch-Drunk Lover e Ivre de Femmes et de Peiture. O melhor roteirista foi o escocês Paul Laverty por Sweet Sixteen, de Ken Loach.
O prêmio para melhor atriz foi outra surpresa, mas muito bem recebida: Kati Outinen, em O Homem Sem Passado. E para melhor ator foi escolhido o belga Olivier Gourmet por seu trabalho memorável em O Filho, de Jean Pierre e Luc Dardenne.
Nenhum dos filmes franceses recebeu qualquer prêmio, embora tenham sido capítulo à parte nesta competição. Se forem tomados como termômetro do atual momento social francês, explica-se em boa parte a recente ascensão da direita de Jean-Marie Le Pen.
Comemorando um quarto de século, o prêmio Caméra DOr, destinado ao melhor filme de diretor estreante, foi para Bord de Mer, de Julie Lopes Curval, exibido na Quinzena dos Realizadores. A Palma de Ouro para curta-metragem ficou com Depois da Chuva, do húngaro Péter Mészaros.


