O PFL do Paraná e o papel dos partidos - João Elísio Ferraz de Campos
João Elísio Ferraz de Campos
Surpreendeu-me a reação de alguns aliados do governo à decisão do PFL do Paraná de disputar as eleições municipais do ano que vem com candidatos próprios em todos os municípios do Estado. Ninguém falou em quebra de compromissos assumidos - que, até por uma questão de ética e lealdade, devem ser respeitados - nem vai deixar de aceitar apoios. Mas é preciso entender que as alianças feitas para eleger o governador Jaime Lerner valiam para aquele pleito e não podem se repetir indefinidamente sob pena de desfigurarmos o perfil dos partidos.
Mais que direito, qualquer agremiação política tem a obrigação de se preparar para as eleições com objetivo claro e definido de apresentar aos eleitores os seus candidatos. Essa é a única forma de fortalecerem-se, motivarem a militância e fazerem valer as suas teses e ideais.
No PFL, não queremos nem há como fugir desses princípios. O partido já definiu que vai lançar candidato próprio às eleições presidenciais de 2002 e a melhor maneira de começar a atingir esse objetivo é exercitar, em todos os níveis, locais e oportunidades a sua capacidade de sensibiliar os eleitores. Não há, no Brasil, nenhum outro partido com perfil tão adequado ao mundo de hoje. Ninguém trabalha mais do que o PFL pelas reformas institucionais e pela adequação de nossa sociedade e economia aos padrões mundiais. Ninguém luta tanto para superar preconceitos e tabus que nos prendem a sofismas superados e falsos dilemas como o da visão maniqueísta entre capitalismo e socialismo.
É preciso encarar a realidade sem hipocrisia e reconhecer que não existem fórmulas mágicas. Sem uma economia forte e estável, nenhum processo de desenvolvimento se sustenta, sem desenvolvimento não teremos progresso nem recursos e sem recursos não será possível realizar os programas sociais necessários para diminuir as desigualdades existentes.
Defender a liberdade de empreender, como o PFL defende, é reconhecer a supremacia do capitalismo sobre outras formas de produção, mas não significa aceitar passivamente os seus defeitos, deixando de buscar formas de minimizá-los, ou colocar o sistema econômico acima dos interesses sociais.
Não se pode, por exemplo, cruzar os braços diante da concentração de renda e do desemprego como eles se fossem consequências inevitáveis do capitalismo. O emprego é o benefício social mais digno que uma sociedade pode oferecer aos seus cidadãos, e é isso que o Paraná faz quando promove o desenvolvimento, atraindo para o seu território indústrias de ponta no cenário mundial, que geram riquezas, novos postos de trabalho e irradiam os seus efeitos positivos sobre outros setores da economia.
Nós queremos que o Paraná continue a trilhar esse caminho e é essa a razão maior para o PFL de nosso Estado querer disputar as eleições municipais do próximo ano com candidatos próprios. E, além disso, o PFL é o partido do governador Jaime Lerner, e ampliar sua a força no Estado, elegendo o maior número possível de prefeitos traz, como resultado direto, o fortalecimento da base de sustentação do governo e aumenta, nacionalmente, o peso de nossas lideranças, credenciando-as para vôos mais altos.
O PFL do Paraná sabe o que quer e onde pode chegar, e tem certeza de que os seus objetivos estão de acordo com os interesses maiores de toda a sociedade.
- JOÃO ELÍSIO FERRAZ DE CAMPOS é presidente do PFL do Paraná





