O petróleo é nosso
A frase é antiga e teve seu valor psicológico no começo da exploração do petróleo no Brasil, em 1954, época da criação da estatal Petróleo Brasileiro S.A., a Petrobras. Foram-se 48 anos até que a empresa chegasse hoje à sua maturidade econômica e estrutural.
Ganhou crédito, cresceu potencialmente, avançou tecnologicamente, abriu os horizontes e galgou posições importantes junto aos produtores do tão cobiçado óleo natural. Com a Petrobras, o Brasil foi reconhecido internacionalmente diante dos olhos incrédulos da poderosa Opep organização cartelizada que dá as ordens no mercado petrolífero mundial e tornou-se a quinta maior refinadora do mundo.
O progresso também resultou em mudanças políticas e estruturais importantes para a economia nacional. De empresa estatal que muitas vezes engessa o potencial natural de ramos econômicos , a Petrobras se tornou uma empresa de capital mista, muito mais viável. Apesar de possuir capital aberto e dinheiro em caixa, quem manda e quem dá a palavra final é sim o Presidente da República.
Até o trabalhador, aquele simples assalariado, pôde se tornar sócio da maior empresa nacional. Para quem o fez, o investimento proprocionou, até agora, um dos melhores retornos financeiros já obtidos pela classe operária, que sempre amargou injustiças financeiras, principalmente em cima do dinheiro do FGTS.
Apesar de toda essa pomposa evolução, que deve servir de orgulho para cada cidadão brasileiro, há ainda contrastes que a população não é capaz de entender. Segundo um dos diretores da Petrobras, Rogério Manso, a Petrobras produz hoje cerca de 80% do petróleo consumido no Brasil, ou seja, estamos, pelo menos na teoria, próximos da independência externa. Ainda segundo a empresa, o Brasil é ''uma nova e promissora fronteira mundial do petróleo'', pois existem ''grandes áreas inexploradas no setor, com perspectivas promissoras''. A bem-aventurança é tanta, que até mesmo a exploração e a venda foram abertas ao capital estrangeiro este ano e em breve, novas empresas estarão espalhadas pelo País, certas de encontrar petróleo e lucro.
Neste discurso otimista, que se torna verídico na prática, as questões são simples. É difícil entender por que o combustível gasolina e gás é tão caro no Brasil? Como, mesmo retirando da nossa terra a maioria do óleo consumido, ainda dependemos do mercado externo? Por que a Petrobras dá lucro, é prova de retorno garantido, mas não melhora em nada, na prática, a vida social do País?
A Petrobas é do povo, a terra onde estão os lençóis são nacionais e os homens os mesmos que morrem nas plataformas são brasileiros. Porém, parece que o petróleo não é mais nosso.
Mauricio Della Barba





