O peso do PFL
Para o PSDB, aquele mais interessado no seu projeto original de reforma do Estado e da sociedade, o peso maior da coligação estava justamente no PFL que levava a adernar o governo para centro direita quando sua vocação seria a de centro-esquerda e que encontraria, justamente, o interlocutor histórico e companheiro de viagem, já que o tucanato nasceu de dissidência, no PMDB. Quem se prejudicou e muito com as recentes mudanças do cenário político foi Alvaro Dias que era o dono do partido, do qual acabou defenestrado por haver assinado a CPI contra FHC e estimulado por uma provocação de Roberto Requião. Apoiado pelo então ministro Sérgio Motta, os alvaristas resistiram ao ingresso de Jaime Lerner no PSDB. Motta, irritado com Lerner, teria prometido passar por cima dele como um trator.
Lerner não teve alternativa e passou ao PFL, colocando em ação um esquema de proselitismo que de saída conquistou um grande eleitor do Paraná, ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati. O projeto presidencial do governador estava ainda viçoso e agora, quando houve a trepidação do caso da Roseana Sarney, voltaram a falar nessa hipótese, dificílima de ser sustentada, pela manifesta apatia do líder maior do partido no Estado.
Ao lutar, com surpreendente obstinação pela aliança com o PSDB tanto aqui quanto nacionalmente, Lerner se desgasta diante dos passionais que insistem em novas retaliações, mas se transforma em interlocutor de primeira ordem e como voz dissonante no PFL. Credencia-se a participar da sucessão com uma das peças importantes do processo por ser formalmente da fileira rompida, o que repete já haver feito com Brizola, quando no PDT, na opção por FHC. O histórico o favorece porque ele e Cassio Taniguchi são os eleitores fortes do Paraná. Se saírem do PFL, por discordarem de orientação diversa, fazem um arrastão no partido como um dique rompido, condenando-o ao minimalismo.
A GREVE Dia 21 de março, o Brasil vai parar! Era o que dizia o volante da CUT anunciando greve nacional que não houve. Expectativas fantasiosas são apropriadas aos políticos que mentem e dissimulam por natureza. Área sindical não pode dar-se ao luxo de ameaças inconsistentes como essas. Tanto nesse caso quanto naqueles em que sugerem estar mais fortes do que os patrões numa queda de braço em que sempre perdem, como ocorre em especial com os bancários.
Anúncio de greve geral, quando não há as mínimas condições de fazê-la, é um desastre para a imagem do trabalho, ainda mais num momento em que vai perdendo relevância como fator de produção com as novas tecnologias, quase sempre poupadoras de mão-de-obra. Quando Marx pregou a internacionalização da luta de classes já previa a consequência de um surto cosmopolita de traço globalizante em que os referenciais nacionais desapareceriam. (Manifesto Comunista)
Ainda anteontem, um dia depois, o ministro Almir Pazzianoto, presidente do Tribunal Superior do Trabalho, no Estadão defendeu a flexibilização com uma analogia com o que está se dando na Europa, Alemanha em especial, onde a malha de proteção social é bem mais consistente do que aqui e com tendência nessa direção buscada no Brasil. É o horror econômico em marcha.





