Se a previsão de queda de vendas no comércio que ora ocorre, pela elevação do juro básico, é um fator psicológico, há que levar em conta esse fenômeno, sempre desprezado pelas autoridades econômicas. Não considerar a sua importância é irresponsabilidade, mesmo sob o argumento técnico de que subir o juro de 16% para apenas 16,5% pouco significa. A resposta aí está, em forma de pessimismo dos comerciantes, que em função dessa reação de caráter psicológico já começam a rever programas de encomendas de mercadorias para o Natal e fim de ano. Um fator psicológico gerando outro e assim tornando-se realidade, com consequências econômicas desastrosas. As coisas começaram a andar um pouco melhor, no Brasil, nestes últimos meses, e isso gerou melhoria do movimento no comércio, porque as pessoas passaram a comprar mais e a confiar mais na capacidade de endividamento. Mas aí as esferas da decisão na área governamental resolvem colocar um break, pela via de uma subida do juro básico, e assim esfriam o ânimo da indústria e do comércio. Os fatídicos 0,5% apenas meio ponto percentual geraram a piscológica tendência de retração, e na ponta da linha ameaçando também o emprego. Então, o psicológico e repita-se à exaustão essa palavra torna-se verdade e cria uma dinâmica invertida nos negócios. Assim todos perdem, inclusive o governo, pela queda de arrecadação. Nunca se soube que uma nação tenha empobrecido por via do aumento do consumo, antes o contrário, ocorreu uma intensificação do giro industrial, pelo aceno do comércio, de sua vez impulsionado pela presença do consumidor com dinheiro ou crédito para comprar. Há fatores em descompasso no círculo industrial, comercial e político brasileiro. Se uma melhora do padrão econômico acontece, o governo logo cria mecanismos impedidores do consumo, temendo inflação, mas não atentando que sem consumo as indústrias diminuem produção, assim como os fornecedores de matérias-primas, o comércio perde ritmo e emprega menos, tudo isto resultando também em perda de receita tributária. É a reação em cadeia. Mas não apenas o governo, porque também produtores de matérias-primas, a indústria, o comércio, se aproveitam quando há momentos de euforia, e elevam preços. Se isto é da lei da oferta e da procura, impera aí também uma ausência de bom-senso e de coerência pela causa do tão falado e (aparentemente) almejado controle da inflação. O castigo por esse comportamento vem logo adiante, pela retração do consumidor, já não tão afoito para ir comprando e assumindo dívidas a torto e a direito. Há uma demora no entendimento desse processo, por parte dos segmentos envolvidos, embora as tantas experiências, que se repetem. Produção equilibrada, preços e juros equilibrados, consumo equilibrado, sem ganância e sem especulação. Estes os segredos.

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