Qualquer debate que avalie a importância de um diploma de graduação acadêmica para a obtenção do sucesso em atividades afins deve priorizar dois pontos, como o faz reportagem especial publicada na edição de ontem deste jornal .
O primeiro é de caráter básico, apesar de contornado por elementos de fundo institucional, e prega, acertadamente, que a busca do conhecimento via bancos escolares é essencial para o cidadão que almeja crescer num mundo onde a informação é dinâmica e permeia pesquisas, negócios, oportunidades profissionais e até influi nos momentos menos comprometidos do ser humano em seu cotidiano. Não basta saber que os Estados Unidos atacam o Iraque. É preciso conhecer um pouco das relações internacionais, o que inclui a história e a conjuntura atual, para estar informado que a política internacional constitui um jogo de interesses e nas jogadas decisivas até a guerra é usada. Estas informações se buscam na literatura, e para assimilar o que os historiadores e os analistas políticos escrevem é preciso fundamento acadêmico. Ler e digerir da maneira que os autores escrevem é arriscar-se a comprar idéias e posições parciais. A interpretação é necessária.
O segundo ponto, este sim se apanha da chamada escola da vida. Luiz Inácio Lula da Silva cresceu como cidadão num país que dá muita importância aos diplomados, tendo cursado apenas até a quinta série do primeiro grau. Mas não foi todo o conhecimento que o elevou à presidência do Brasil adquirido na labuta diária, primeiro como sindicalista e depois como político, incluindo um mandato na Câmara dos Deputados e as seguidas tentativas de eleger-se presidente. Nesta última candidatura, Lula assessorou-se de estudiosos de diversas áreas e arrisca-se a dizer que ele teve a melhor faculdade brasileira, pois aprendeu num sistema que no passado era privilégio dos nobres: ter mestres em casa e não compartilhá-los com colegas das salas de aula. Assim, o Presidente somou o rico conteúdo que adquiriu na faculdade da vida às teorias e fundamentos repassados pelos assessores, que o transformaram num político com característica de grande estadista, face as virtudes que o rodeiam.
Então, a partir do próximo ano, ao contrário do que os agourentes possam imaginar, este homem, que cresceu a partir do chão de fábrica, valorizará a formação acadêmica. Por saber, sobretudo, que apenas um dos milhares que pretendem crescer com um diploma na mão teve, até hoje, o privilégio de uma faculdade exclusiva, formada por estudiosos que nenhuma instituição de ensino superior tem como reunir num mesmo período. E, dos dois pontos em destaque, aprende-se que um está literalmente ligado ao outro. É possível formar médicos que são apenas técnicos especializados em determinada área da medicina. Como também formam-se cidadãos que optam pela carreira na área de medicina.

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