O peso da chumbada e o pulso do pescador
O delírio da derrota no primeiro turno e a falta de rumo para conseguir vencer no segundo revela um Cassio utilizando métodos de Maluf, buscando encontrar razões da derrota fora de sua própria atuação como prefeito de Curitiba. É evidente que o desempenho do grupo político a que se pertence também é julgado nas eleições. Cassio pertence à equipe do governador Lerner desde o tempo em que este foi nomeado pela ditadura militar para prefeito. Também foi o primeiro secretário de Planejamento em seu primeiro período no governo estadual.
O que acontece ainda hoje no governo do Paraná está associado ao desempenho de Cassio como secretário de Planejamento pois se trata da implementação do mesmo projeto. Nas eleições de 96, Cassio fazia questão de associar o seu projeto político com o de Greca e ao de Lerner e quer agora que o povo esqueça?
Até pouco tempo, quando alimentava o sonho de chegar ao governo do Estado, ele não descartava sua aliança com Antonio Belinati. É evidente que pesam em sua eleição muitos fatos: o fato de seu companheiro de partido Belinati ter sido afastado do cargo de prefeito de Londrina por improbidade administrativa; o fato de Greca ter saído do cargo de ministro dos Esportes pela desastrada condução nas comemorações dos 500 anos do Brasil; e o fato da gestão de Lerner hoje merecer a desaprovação da maioria em razão do pedágio; e também os escândalos na área da segurança e Banestado Leasing, a venda do Banestado, Copel e Sanepar.
O que todo ser político deve saber é que não se pode querer receber só os bônus das boas companhias. O povo julga com o bom senso do ditado popular Diga-me com quem andas e direi quem és, debitando também o ônus. Se Lerner antes das eleições reduziu o pedágio nas estradas e depois aumentou, ninguém acredita que Cassio não faça o mesmo com o IPTU. Ele está casado com essa situação e não pediu divórcio. Está desgostoso porque a união lhe pesa como um chumbo que ajuda a afundar a rolha da vara de pescar. Mas acontece também que o pescador escolhe o poluído Rio Barigui como local de pesca e não sabe apanhar peixe.
Está na gestão como prefeito o seu calcanhar-de-aquiles. A segurança é também uma questão municipal e os totens são a pura expressão de um poste parado inerte que não atende aos anseios da população por segurança. Esgota-se em ser um belo enfeite. E onde está o prefeito com uma política de segurança? As enchentes se sucedem justamente após as gestões municipais de Greca e Cassio anunciarem o seu fim. As medidas preventivas sugeridas pelo Instituto de Engenharia, pela Universidade Federal, pelo Ministério Público e organizações não-governamentais não são adotadas.
Se fosse Cassio inteligente e competente, Curitiba não teria engarrafamentos e problemas no trânsito. As demandas por emprego prometidas e não satisfeitas e as filas para creches e melhor atendimento escolar são problemas reais da cidade e não do governo estadual e das boas e más companhias de Cassio. O Linhão do Emprego é só o linhão; os números de empregos ofertados são números e bem menores do que aqueles apresentados e prometidos pelo prefeito. A questão do meio ambiente sempre foi tratada mais como jogada de marketing onde a adoção de soluções efetivas patinam. Nossos rios mortos ou quase e a crise aguda da água bate em nossas portas.
Mas o que mais faz aumentar o desejo de mudança é a proposta de Vanhoni de varrer do mapa o atual monopólio de um grupo que asfixia a criatividade da intelectualidade paranaense e curitibana e faz da palavra democracia o sinônimo de idéia imposta. O modelo tecnocrático se exauriu. O novo pede passagem.
Há em Curitiba um certo ar das primaveras políticas nessa adesão maciça da intelectualidade, da juventude e da participação popular nos comícios. Esse desejo incontido de participação e a abertura para o fazer coletivo por parte de Vanhoni é um encontro para vencer e durar. A competência do candidato do PT, gostem ou não, é esse agregar político de gentes de todas as latitudes que querem mudar e abrir o caminho para a capacidade criadora coletiva de nossa gente novamente tomar o destino da cidade em suas mãos.
A competência de Vanhoni em agregar servidores, técnicos de universidades e indicações de entidades como proposta de composição de sua administração trazem ao povo de Curitiba a confiança em uma administração competente. Pois é no fazer social que a cidade se constrói e se administra.
Já o establishment da prancheta propõe manter e cuidar o que se tem. Cassio, que se dizia o arauto da campanha limpa, arreganha os dentes como fera ferida, lança falsos boatos e mentiras em uma campanha agressiva. Por isso mesmo está recebendo do povo de Curitiba a rejeição. A busca da moralidade administrativa e de padrões éticos, a procura do atendimento das demandas sociais e o desejo de tomar o destino da cidade em suas mãos participando é que fazem de Vanhoni o provável candidato eleito de Curitiba.
- VITORIO SOROTIUK é advogado em Curitiba, ex-secretário estadual do Meio Ambiente e ex-presidente do PSB no Paraná





