O perverso sistema financeiro da habitação
Impossível aceitar que um cidadão que financiou um imóvel residencial por R$ 35 mil, e já pagou R$ 40 mil de prestações, ainda tenha um saldo devedor de R$ 43 mil. Este é apenas o caso de um dos milhões de mutuários vítimas do perverso sistema financeiro da habitação, no Brasil. Reportagem de ontem deste jornal, em que aquele caso é citado e são todos assim mostra que, em relação a abril do ano passado, houve neste mês aumento de 213% de inadimplência, no Pananá, entre adquirentes da moradia financiada.
Os respectivos imóveis foram apontados em leilão, pelos bancos financiadores. Ademais, a citação do comprador em edital uma desnecessidade á execra-o publicamente e situa-o como um delinquente. Sem sombra de dúvida que o vilão não é ele mas o próprio sistema entenda-se a política do governo para o setor e os bancos que financiam.
A regional paranaense da Associação Nacional dos Mutuários já está gestionando para anular judicialmente os leilões, mas estas serão sempre ações de defesa, que terão de ser feitas continuamente, quando o que se reclama é uma moralização definitiva no sistema, de forma a que retire o mutuário do cativeiro em que se encontra, pois se entra nele não pode mais sair, a não ser depois de escalpelado.
Já nem se discute a dificuldade do mutuário que ainda teve a situação piorada por perda do emprego, mas mesmo quem tem condições de pagar as prestações continua uma vítima da crueldade do sistema, pois quanto mais paga, mais deve, em face da cobrança de juros capitalizados. É tão ilegal essa prática que, felizmente, muitas ações estão sendo ganhas na Justiça contra essa gatunagem institucionalizada. E as causas, quando vitoriosas, ainda assim são apenas amenizadoras do saldo devedor, porque na soma geral o mutuário paga inúmeras vezes mais, pelo imóvel financiado.
Alguns mutuários desejam receber de volta o que pagaram a mais, e este é um direito assegurado em lei e pertinente a qualquer relação de negócio. Inconcebível que haja tanta especulação e tanto ganho de alguns sobre um programa que visa, justamente, resolver um problema social, que é a da moradia.





